O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões diferentes durante acareação realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 30 de dezembro do ano passado. Os depoimentos vieram a público nessa quinta-feira (29), após o ministro Dias Toffoli , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), levantar o sigilo das oitivas.

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que as carteiras de crédito da empresa Tirreno, ligada ao Master, eram oriundas de investimentos de terceiros e não pertenciam ao seu banco. Tal condição, segundo ele, foi informada ao BRB quando da tratativa de aquisição dos ativos. Veja o vídeo:

“A gente anunciou que faria a venda, naquela ocasião, de originadores terceiros. A gente chegou a conversar por algumas vezes que começaria um novo formato de comercialização, que seria carteira originada de terceiros, e não mais originação própria. Não me lembro a data específica, mas a gente chegou a conversar em algum momento que teria essa comercialização desse novo tipo de carteira”, declarou Vorcaro.

Em seguida, o ex-presidente do BRB disse que foi informado de que os créditos eram próprios do banco de Daniel Vorcaro.

“No meu entendimento, que eu coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente [BRB]”, colocou Paulo Henrique Costa.

Vorcaro, mais uma vez, sustentou sua versão: “não tenho essa informação de ser revendida pelo Master, eu sabia que eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, ou seja, era um ambiente já de clientes que faziam parte do nosso ambiente, mas não especificamente que tinha sido originada por nós”.

Sem anúncio no momento

O ex-presidente do BRB contestou novamente o dono do Banco Master. “Na nossa visão, eram créditos originados pelo Master, vendidos em algum momento, e que estavam sendo recomprados. E nesse ponto em específico, a gente seguiu comprando essas carteiras até abril. Mais ou menos do meio para o fim de abril, ao analisar alguns contratos, identificamos que tinham um padrão documental diferente, e, a partir daí a gente começou a questionar quem eram os originadores específicos, e, ao longo do mês de maio recebemos informação de que eram créditos originados pela Tirreno. Não significa que a Tirreno produziu os créditos, a Tirreno, na verdade, era uma consolidadora, a gente logo depois recebeu a lista dos vinte correspondentes bancários que eram originadores que submetiam à Tirreno”.

Segundo as investigações da PF, a Tirreno era uma empresa de fachada utilizada para simular operações de compra e venda de créditos.

Compliance Zero

Em novembro de do ano passado, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco Regional de Brasília (BRB). As investigações apontam que as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.