Em meio a uma sequência de escândalos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e à crescente pressão por um código de conduta para magistrados, a 14ª edição do Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”, está confirmada para 2026. Segundo informações divulgadas nas redes sociais oficiais do evento, o encontro será realizado nos dias 1º, 2 e 3 de junho, em Portugal. A alteração no calendário tradicionalmente marcado para julho, ocorreu para evitar conflito com a Copa do Mundo de Futebol.
Popularmente apelidado de Gilmarpalooza, o Fórum de Lisboa é um seminário jurídico-acadêmico organizado por instituições ligadas ao Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro do STF Gilmar Mendes , em parceria com centros acadêmicos portugueses e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O evento ocorre anualmente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Sob o argumento de promover debates sobre Direito, democracia, governança e transformações institucionais, o encontro reúne ministros de tribunais superiores, membros do governo, políticos, advogados, empresários e acadêmicos. Apesar do caráter acadêmico declarado, a edição de 2026 acontece em um momento de forte desgaste da imagem do Judiciário brasileiro, marcado por questionamentos sobre relações entre magistrados e investigados, além de críticas envolvendo viagens, patrocínios e possíveis conflitos de interesse.
Mesmo diante desse cenário, a organização mantém o evento internacional, que tradicionalmente concentra autoridades brasileiras fora do país, longe do escrutínio direto dos órgãos de controle e da imprensa nacional. Críticos apontam que o Gilmarpalooza funciona, na prática, como um espaço informal de articulação política e institucional, reunindo atores que frequentemente ocupam posições opostas em processos judiciais ou decisões governamentais, sem transparência adequada quanto aos critérios de convite e financiamento.
Ainda que não haja comprovação de ilegalidades, o fórum segue gerando controvérsia justamente por ocorrer em um ambiente privado e internacional, ao mesmo tempo em que cresce no Brasil a cobrança por mais ética, imparcialidade e limites claros na atuação da mais alta corte do país. Até o momento, a organização confirmou apenas a realização do evento, sem divulgar o tema da edição de 2026 nem a lista de convidados e palestrantes.
Outro ponto que chama atenção é a falta recorrente de transparência sobre patrocinadores e critérios de custeio. Os organizadores não costumam informar publicamente quem financia o evento, como são pagas as despesas de palestrantes e convidados ou quem arca com custos de passagens, hospedagem e infraestrutura. Também não há detalhes sobre eventuais afastamentos formais de autoridades de suas funções, o que, segundo especialistas, alimenta questionamentos sobre a mistura entre interesses públicos e privados e reforça a percepção de opacidade em um encontro que reúne magistrados, políticos, empresários e advogados fora dos mecanismos regulares de fiscalização.