A homenagem prestada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói , na noite desse domingo (15), no Sambódromo da Marquês da Sapucaí, gerou forte reação de políticos e apoiadores da direita.
Conservadores afirmaram que o enredo exaltou a trajetória de Lula e omitiu episódios como investigações, condenações posteriormente anuladas e o período em que o petista esteve preso. Segundo eles, o desfile configuraria propaganda antecipada em ano eleitoral e possível abuso de poder político, já que Lula é pré-candidato à reeleição.
O desfile, que teria sido parcialmente custeado com recursos federais, também retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço preso. Lula acompanhou a apresentação em um camarote ao lado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja. Em determinado momento, o presidente desceu até a avenida junto ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para cumprimentar integrantes da escola.
Reações da direita
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou um vídeo nas redes sociais mostrando Bolsonaro representado como um palhaço atrás das grades com tornozeleira eletrônica. Na publicação, afirmou: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”.
O deputado federal Nikolas Ferreira declarou que, se o desfile tivesse ocorrido em 2022, Bolsonaro teria sido alvo de medidas judiciais. “Se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia”, escreveu.
Já o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo produzido com uso de inteligência artificial, no qual um samba-enredo chama Lula de ladrão e se refere à primeira-dama como “esbanja”, mencionando gastos do casal, o escândalo do INSS, sigilos governamentais e a situação financeira de estatais. “Diferente do desfile eleitoral do Lula, esse vídeo não usou dinheiro dos impostos”, afirmou.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também compartilhou um samba-enredo criado com inteligência artificial, citando casos como o Mensalão, o Petrolão e o Banco Master, além de cobrar promessas de campanha: “Cadê minha picanha”.
Críticas e medidas judiciais
O ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten, classificou o desfile como “vergonhoso” e afirmou que pretende acionar a Justiça Eleitoral. “A inelegibilidade é certa”, escreveu.
O deputado federal Filipe Barros criticou os organizadores, afirmando que o desfile “zomba dos evangélicos e da perseguição política que Bolsonaro está passando” e destacou que a população estaria financiando o evento com recursos públicos.
Partidos e lideranças de direita recorreram a órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, além da Justiça comum e do Tribunal Superior Eleitoral, para tentar impedir a apresentação em ano eleitoral. No entanto, nenhuma decisão foi favorável aos pedidos.
No TSE, a ministra Cármen Lúcia afirmou que proibir previamente o desfile configuraria censura, lembrando que, em 2022, votou a favor da retirada de um documentário da Brasil Paralelo, mas, neste caso, entendeu que a restrição seria inadequada.
Debate político
O episódio reacendeu o debate sobre os limites entre manifestações culturais e propaganda política, especialmente em período pré-eleitoral. Enquanto aliados de Lula defendem a liberdade artística das escolas de samba, críticos argumentam que houve uso indevido de recursos públicos e favorecimento político.
A controvérsia deve continuar repercutindo nos próximos dias, com possíveis novos desdobramentos na Justiça e nas redes sociais.