Nesta quinta-feira (26), será ouvido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Paulo Otávio Montalvão Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, que está preso desde 12 de setembro do ano passado. Além da oitiva, o colegiado deve analisar requerimentos e pedidos de quebra de sigilo, entre eles o que envolve Fabio Luís Lula da Silva , conhecido como Lulinha.
Paulo é investigado por suposta participação em um esquema de descontos indevidos aplicados a benefícios previdenciários. Embora não apareça como responsável direto por movimentações financeiras, ele é citado na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF), como sócio da empresa Rede Mais Saúde. A companhia pertence ao grupo de seu pai e recebeu recursos da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e do Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap), entidades sob investigação.
Entre agosto de 2023 e maio de 2024, a empresa movimentou R$ 18 milhões. A convocação de Paulo partiu de parlamentares do partido Novo: o senador Eduardo Girão (CE) e os deputados Marcel Van Hattem (RS), Adriana Ventura (SP) e Luiz Lima (RJ).
As suspeitas envolvendo o INSS vieram a público em dezembro de 2023, após uma série de reportagens do portal Metrópoles. Três meses depois, novas matérias mostraram que a arrecadação das entidades por meio de descontos nas aposentadorias alcançou R$ 2 bilhões em um ano, mesmo com milhares de ações judiciais por filiações consideradas fraudulentas.
As publicações motivaram a abertura de inquérito pela PF e subsidiaram investigações da Controladoria-Geral da União. Ao todo, 38 reportagens foram citadas na representação que resultou na deflagração da Operação Sem Desconto, em 23 de abril deste ano. A ofensiva culminou na saída do então presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Também está prevista a oitiva do deputado estadual Edson Cunha de Araújo, igualmente investigado na operação. Convocado anteriormente para 6 de fevereiro, ele não compareceu INSS após obter habeas corpus. Araújo ocupa a vice-presidência da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades mencionadas na investigação, que apura descontos indevidos entre 2019 e 2024.
Em troca de mensagens, Edson criticou o vice-presidente da CPMI, o deputado Duarte Jr. (PSB-MA), afirmando: “Palhaçada, quer aparecer? Lugar de palhaço é no circo”. Após resposta do parlamentar, Araújo escreveu: “Nunca recebi nada de aposentado, nós ainda vamos nos encontrar”. Questionado se estaria fazendo ameaça, respondeu de forma direta: “Tô, por quê?”.
O colegiado ainda deve votar 87 requerimentos, incluindo pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de empresas e investigados. Entre eles está o requerimento 2939/2026, apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que solicita Relatórios de Inteligência Financeira e a quebra de sigilo de Fabio Luís Lula da Silva entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026. Segundo o parlamentar, diálogos interceptados indicam que um repasse de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger poderia ter como beneficiário “o filho do rapaz”, supostamente em referência a Lulinha; ela é apontada como integrante do núcleo político ligado ao chamado “Careca do INSS”.