O Portal GP1 estreia nesta terça-feira um novo projeto voltado à informação, ao debate e à aproximação com o público: o GP1 Podcast. O programa nasce como um espaço para conversas francas, aprofundadas e sem pressa sobre os temas que impactam a vida dos piauienses.
Com uma proposta de levar conteúdo de qualidade em um formato mais dinâmico, o podcast receberá autoridades, especialistas, empresários, representantes de instituições, personalidades e pessoas com histórias inspiradoras e relevantes para o debate público.
Para marcar a estreia, o convidado é o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), conselheiro Kennedy Barros. Durante a entrevista, ele aborda o papel do Tribunal na fiscalização dos recursos públicos, as ações desenvolvidas pelo órgão para fortalecer a transparência na administração pública, os preparativos para as eleições, além de outros temas de interesse da sociedade.
Ao longo da conversa, o presidente do TCE-PI fez duras críticas ao crescimento dos gastos públicos com grandes atrações musicais contratadas principalmente por prefeituras para a realização de festas e eventos, e também questionou a forma como as emendas parlamentares estão sendo executadas. O episódio de estreia já está disponível no canal do GP1 Podcast no YouTube.
Shows milionários
Kennedy Barros contestou a escalada dos cachês milionários pagos com recursos públicos e defende que os gestores revejam as prioridades na aplicação do dinheiro destinado aos municípios.
“Começou a se colocar dinheiro para a festa e esses cachês passaram a ficar altamente caros. Não se via falar em tempos pretéritos, banda cobrando um milhão e duzentos, um milhão e quinhentos. Está numa gravidade tão grande que um cantor vai para uma cidade e ele num jatinho, do local que ele chega, já vai para o show, do show, ele já volta para o jato para ir para outro show, e numa noite faz três”, disse o conselheiro.
O presidente do TCE-PI também defendeu uma maior valorização da cultura regional e questionou se a contratação de artistas já consagrados é, necessariamente, a melhor opção para os municípios. Segundo ele, o investimento em talentos locais pode representar uma alternativa mais eficiente e contribuir para o fortalecimento da produção cultural do estado.
“Eu pergunto: quando você está fazendo esse tipo de escolha, está prestigiando a cultura local? Talentos, nós temos os mais variados. Quantos artistas nós temos aqui no Piauí que, com estrutura, podem ganhar projeção nacional? Será que uma festa para ter essa grandiosidade, precisa ser com alguém já com fama?”, colocou.
Emendas
Outro tema abordado na entrevista é o modelo de distribuição das emendas parlamentares. Para Kennedy Barros, o crescimento desse mecanismo provocou uma distorção na gestão pública e compromete o equilíbrio entre os Poderes.
“Eu nunca tinha visto uma anomalia em termos de gestão pública com essa história de emenda parlamentar. Acho que é um problema grave e o ministro Flávio Dino agiu com rigor, com sabedoria e com urgência. O que está acontecendo é que, na forma como está acontecendo, se está criando um Executivo dentro do Legislativo”, afirmou.
O conselheiro reforçou que reconhece a importância das emendas destinadas a áreas prioritárias, mas considera excessivo o volume de recursos atualmente movimentado por esse instrumento.
“Com todo o respeito aos parlamentares que indicam emendas para áreas acertadas, mas eu entendo que o volume de recursos que está sendo despejado nesse tipo de atividade foge da lógica, gera problemas para os orçamentos e cria, no meu entendimento, a maior das anomalias: cria um Executivo dentro do Legislativo. Não está correto, então, no meu entendimento, é uma anomalia institucional”, concluiu.
Nota técnica
As declarações de Kennedy Barros ocorrem após a recente edição da Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo TCE-PI e pelo Ministério Público do Estado. O documento estabelece diretrizes para orientar gestores na realização de festejos públicos custeados, total ou parcialmente, com recursos públicos, disciplinando aspectos como a contratação de artistas, infraestrutura dos eventos, utilização de emendas parlamentares e observância das normas fiscais e eleitorais.
Thais Guimarães
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