Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral , solicitou apoio ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para tentar interferir em um processo judicial.
A conversa ocorreu em maio de 2025 e menciona a retirada de pauta de um julgamento que tramitava na 6ª Câmara de Direito Público. No dia 22 daquele mês, Cabral escreveu: “Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. (...) Só pedir para retirar de pauta.” Bacellar respondeu: “Te falo”.
Cinco dias depois, o ex-governador voltou a entrar em contato para informar o resultado: “Irmão! Saiu de pauta o meu processo”. Em seguida, acrescentou: “Você é um querido!!!! Te amo, amigo!!!”.
Os diálogos fazem parte do inquérito que levou ao indiciamento de Bacellar, do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva — conhecido como TH Joias — e de outras três pessoas, investigadas por suspeita de repassar informações sigilosas à facção criminosa Comando Vermelho.
Bacellar foi preso em 3 de dezembro durante a Operação Unha e Carne, que apura o suposto vazamento de dados da Operação Zargun, deflagrada em setembro e responsável pela prisão de TH Joias. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, e o parlamentar deixou o presídio no dia 9 de dezembro.