O deputado federal Rodrigo Valadares (União Brasil-SE) anunciou que irá requerer a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira , para prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. A iniciativa ocorre após o Ministério das Relações Exteriores condenar ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O parlamentar informou que apresentará o requerimento na próxima sessão do colegiado, prevista para 4 de março.
Valadares manifestou repúdio aos ataques promovidos pelo Irã contra países árabes do Golfo e criticou o posicionamento do governo brasileiro diante da escalada de tensão no Oriente Médio. Segundo ele, ações direcionadas ao Estado do Kuwait, ao Reino do Bahrein, ao Reino da Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos, ao Estado do Catar e ao Reino Hachemita da Jordânia configuram violação de soberania e ameaça à estabilidade regional. O deputado afirmou que o entendimento do Executivo não representa necessariamente a posição do Parlamento.
O Itamaraty divulgou nota na manhã deste sábado (28) condenando a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã. O governo brasileiro declarou que os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes e apontou a diplomacia como o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região. O comunicado também solicitou que todos os envolvidos exerçam máxima contenção, respeitem o Direito Internacional e evitem a ampliação das hostilidades.
Ainda segundo a nota oficial, as embaixadas brasileiras na região acompanham os desdobramentos da crise. O embaixador do Brasil em Teerã mantém contato direto com a comunidade brasileira para repassar orientações de segurança. O ministério informou que segue monitorando a situação e prestando assistência consular quando necessário.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também criticou o posicionamento do governo federal. Em nota, afirmou que houve apoio indireto a Teerã e classificou a postura como moralmente equivocada. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu às declarações em publicação nas redes sociais, defendendo a posição adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contestando as críticas feitas pelo senador.