O empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, apontado por investigadores como lobista e operador financeiro de um esquema que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas na Secretaria da Fazenda de São Paulo, teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar. A decisão foi tomada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu habeas corpus após a defesa alegar problemas de saúde do investigado.

Celso Éder foi preso em agosto de 2025 durante a Operação Ícaro, conduzida por uma força-tarefa formada por promotores do Ministério Público de São Paulo e delegados da Polícia Federal. Na mesma ação também foram detidos o empresário Sidney Oliveira, fundador da rede Ultrafarma , e o executivo Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop, que atualmente respondem ao processo em liberdade.

Foto: Reprodução/Arquivo Pesoal
Empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo

Durante as buscas realizadas na residência do lobista, localizada em Campo Grande, agentes encontraram mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, além de valores em dólares e euros, criptomoedas e dois pacotes de esmeraldas. Pouco menos de um mês após a prisão, o Ministério Público paulista apresentou denúncia contra Celso Éder, atribuindo a ele o comando do esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes investigadas.

De acordo com a Promotoria, o grupo investigado teria pago propinas a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda paulista em troca de uma espécie de assessoria clandestina voltada a empresas que buscavam restituição de ICMS. As companhias receberiam orientação sobre documentação, auxílio para protocolar pedidos e facilitação no andamento dos processos administrativos, que avançariam à frente de outros requerimentos.

As investigações também analisam se o lobista mantinha aliados dentro do Banco Central. Durante as diligências, policiais encontraram impressões de capturas de tela que seriam de sistemas internos da instituição, com pesquisas relacionadas a créditos financeiros. O material teria ligação com contratos de consultoria assinados por Celso Éder para a liberação de valores, segundo a linha investigativa. O caso ainda gerou novos desdobramentos, incluindo a Operação Mágico de Oz, que resultou em prisões e afastamentos de auditores fiscais e no afastamento do vice-prefeito de Tupi Paulista, Frederico Marquezim (PSD), suspeito de envolvimento no esquema.

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