O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes , autorizou nesta segunda-feira (23) o uso de provas de um inquérito que investiga o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro em um processo administrativo disciplinar conduzido pela Polícia Federal.

O procedimento interno apura a conduta de Eduardo, que é escrivão da PF desde 2010. Segundo a Corregedoria Regional no Rio de Janeiro, ele teria feito declarações públicas com ataques, ameaças e exposição de agentes da corporação em 20 de julho de 2025, com o objetivo de intimidá-los por conta de investigações acompanhadas pelo STF.

Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
Eduardo Bolsonaro

Na decisão, Moraes destacou que há ligação entre os fatos investigados e considerou que o compartilhamento das provas — já públicas — pode contribuir com a apuração administrativa.

Após deixar o mandato parlamentar no fim do ano passado, Eduardo foi convocado a retomar suas funções na Polícia Federal. No entanto, ele permanece nos Estados Unidos e afirma que não pretende retornar ao Brasil enquanto responde a processos, o que levou à abertura de outro procedimento por possível abandono de cargo.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também é investigado por supostamente buscar apoio de autoridades norte-americanas para impor sanções contra Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A suspeita é de que essas articulações visassem influenciar decisões judiciais em benefício próprio e de seu pai.

Diante disso, a investigação envolve possíveis crimes como coação no curso do processo, obstrução de investigações relacionadas a organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, no contexto das apurações sobre uma suposta tentativa de golpe que levou à prisão de Jair Bolsonaro.

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