A organização feminista Matria protocolou neste domingo (22) uma ação civil pública contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O motivo do processo é uma publicação feita pela parlamentar no dia 11, na qual ela se refere a críticos como “transfóbicos e imbeCIS”, “esgoto da sociedade” e afirma que eles “podem latir”.

Na ação, a ONG solicita que a deputada seja obrigada a excluir a postagem e a publicar, em até 24 horas, uma retratação com o seguinte teor: “Por determinação judicial, venho a público me retratar pelas expressões ‘esgoto da sociedade’ e ‘imbeCIS’, utilizadas em publicação de 11/03/2026, que ofenderam a honra e a dignidade de uma coletividade de mulheres atingidas pelas ofensas”.

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Deputada Erika Hilton

Segundo informação divulgada pela coluna de Andreza Matais, uma pesquisa do instituto Real Time Big Data indica que 84% dos eleitores são contrários à nomeação de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher.

Além disso, a Matria pede a aplicação de multa de R$ 500 mil à deputada, valor que, caso seja fixado, deverá ser destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), vinculado ao Ministério da Justiça.

A postagem contestada foi publicada na rede social X (antigo Twitter), logo após Erika Hilton assumir a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados — sendo a primeira mulher trans a ocupar o cargo. Na ocasião, ela afirmou: “Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubadas pelo preconceito e discriminação”.

Na representação, assinada pela advogada Aída Laurete de Souza, a ONG sustenta que a deputada tentou intimidar opositoras políticas por meio de ataques verbais.

Sem anúncio no momento

“Esse tipo de manifestação tem como objetivo silenciar. Ao atacar não apenas ideias, mas as pessoas ou grupos, a ré contribui para um ambiente hostil, em que a divergência é reprimida por meio de exposição e constrangimento público”, afirma o documento.