O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou sigilo máximo em um processo que apura o vazamento ilegal de dados fiscais de ministros e outras autoridades. A classificação, considerada o nível mais restrito de confidencialidade, impede inclusive a identificação pública do relator da ação. O caso tramita dentro do chamado “inquérito das fake news”, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes , que já dura sete anos sem conclusão.

A medida segue regras estabelecidas por norma recente da Corte, que prevê diferentes graus de sigilo. Segundo o STF, a restrição foi aplicada devido à presença de informações sensíveis envolvendo órgãos como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A investigação teve início após indícios de acessos indevidos a dados fiscais de cerca de cem pessoas, incluindo ministros e familiares, o que levou à identificação de irregularidades e à realização de operações policiais.

Foto: Antonio Augusto/STF
Ministros do STF

Entre os investigados está o contador Washington Travassos de Azevedo, apontado como um dos suspeitos de envolvimento no esquema. A defesa afirma enfrentar dificuldades para acessar informações do processo, criticando a falta de transparência diante de medidas como buscas e prisão preventiva. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou, afirmando que dados sigilosos têm sido divulgados de forma fragmentada, sem contexto e sem controle judicial, o que pode gerar interpretações distorcidas.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado envolvia desde a obtenção clandestina de informações até a adulteração e comercialização dos dados. Os suspeitos teriam utilizado técnicas de invasão de sistemas e manipulação de informações para lucrar com a venda de conteúdos sigilosos, além de promover a disseminação ilegal desses dados.

As investigações apontam que os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro. O caso segue em andamento sob forte restrição de acesso, enquanto autoridades buscam esclarecer a extensão do vazamento e identificar todos os responsáveis.

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