A Polícia Federal indiciou o ex-assessor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Márcio Toledo Pinto, e o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves pelo suposto esquema criminoso de venda de sentenças. No mesmo relatório, a corporação informa que não encontrou provas suficientes contra os ministros da Corte. Os investigados são suspeitos de corrupção, exploração de prestígio, violação de sigilo funcional e formação de organização criminosa. O novo relatório destacou que não existem “elementos que indiquem a participação de ministros do STJ”.

“Ressalta-se que, até o momento, não há nos autos indícios de que ministros do STJ tenham participado do esquema ilícito articulado pelo lobista Andreson Gonçalves. A análise dos diálogos não permite concluir que os servidores investigados tenham agido em conluio com os ministros”, afirma o documento. Segundo a PF, os servidores teriam atuado de forma isolada, sem evidências de que os ministros tivessem conhecimento das práticas criminosas investigadas.

Foto: Divulgação/STJ
Supremo Tribunal de Justiça

“Determinados servidores, sozinhos ou em colaboração com outros colegas, eram responsáveis por negociar a venda das decisões, elaborar as minutas correspondentes e encaminhá-las para assinatura dos ministros, que, sem ter ciência do esquema, assinavam os documentos e os remetiam para publicação”, enfatiza o relatório.

O novo relatório também reduziu a suspeita inicial, que abrangia 12 processos do STJ distribuídos entre quatro gabinetes, para evidências de irregularidades em apenas dois casos. Um deles envolve a execução de uma garantia bancária ligada a uma fazenda em Mato Grosso, em tramitação no gabinete da ministra Isabel Gallotti. A PF concluiu que Márcio Toledo Pinto recebeu propina para redigir uma minuta favorável aos interesses do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.

Outro caso diz respeito a disputas judiciais entre grupos do setor agropecuário de Mato Grosso, com relatoria da ministra Nancy Andrighi. No gabinete em que Márcio Toledo Pinto atuava, houve apenas a chamada “venda de fumaça”: as minutas enviadas a Andreson não se confirmaram nas decisões proferidas.

A investigação da PF decorre da Operação Sisamnes, iniciada em novembro de 2024, que apontou a existência de um possível esquema de comercialização de sentenças judiciais envolvendo advogados, lobistas, empresários, assessores, chefes de gabinetes e magistrados.

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O caso também levantou suspeitas sobre juízes do Tribunal de Justiça do Mato Grosso e servidores do STJ. O esquema veio à tona após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto com 10 tiros dentro do próprio veículo.

Durante o inquérito sobre o homicídio, a polícia apreendeu celulares e quebrou os sigilos telefônico e telemático dos suspeitos, encontrando provas do amplo esquema de corrupção envolvendo integrantes do sistema judiciário. Também foram detectadas divulgações de informações sigilosas sobre operações policiais em andamento.