Mensagens obtidas pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero indicam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro , tratou diretamente com o jornalista Diego Escosteguy pagamentos que, segundo os investigadores, seriam destinados à publicação de informações de interesse do banqueiro. Escosteguy é proprietário do site O Bastidor . A PF anexou ao relatório imagens de conversas nas quais o jornalista cobrava valores e indicava contas para depósito. A defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria.
Em uma das mensagens, datada de 19 de setembro de 2025, Escosteguy escreveu: “Só pra eu não esquecer, amigo: conferi agora e ainda não fizeram o segundo pagamento”. Vorcaro respondeu que verificaria, e o jornalista replicou com “Thanks!”. Em planilhas apreendidas, segundo a PF, há referência ao nome do jornalista e ordem de pagamento de R$ 2 milhões determinada por Vorcaro, identificado nas conversas como DBV, iniciais de Daniel Bueno Vorcaro. Em 14 de novembro, o jornalista enviou dados bancários de uma conta do Nubank em nome de “Dez Comunicação e Tecnologia”, recebendo como resposta um “Hehe”.
Três dias depois, em 17 de novembro, o site publicou o texto intitulado “BRB-Master sem fim”. De acordo com a investigação, logo após a publicação, o jornalista encaminhou a reportagem a Vorcaro e ao advogado Walfrido Warde. Às 15h47 daquele dia, a defesa do banqueiro protocolou petição na 10ª Vara Federal de Brasília, dirigida ao juiz Ricardo Leite, posicionando-se contra eventuais medidas cautelares. A ordem de prisão havia sido assinada pelo magistrado às 15h29, 18 minutos antes do envio da petição.
Vorcaro foi preso às 22h do mesmo dia, no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, com escala em Malta. Segundo a PF, ele teve acesso a informações sobre o inquérito sigiloso que investigava fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao BRB, envolvendo suposto esquema de hackeamento. Com base nesses dados, teria apresentado pedido judicial para tentar impedir a própria prisão. As suspeitas de vazamento surgiram após a coincidência entre a publicação da matéria e a movimentação processual, antes de o caso ser remetido ao Supremo Tribunal Federal por determinação do ministro Dias Toffoli.
Em depoimento prestado em 30 de dezembro à delegada Janaína Palazzo, Vorcaro foi questionado sobre como soube da vara responsável pelo processo. Ele afirmou que situações semelhantes já haviam ocorrido após a divulgação de notícias e disse que “já sabia” das informações. Indagado se teve acesso a documento sigiloso, respondeu que não se recordava, admitindo a possibilidade de ter recebido dados de repórteres. Também negou tentativa de fuga, afirmando que a viagem ao exterior já estava programada para tratar com investidores. Segundo decisão do ministro André Mendonça, além das suspeitas de intimidação contra adversários, há indícios de acesso indevido a sistemas internos da PF, do Ministério Público e do FBI.