A Polícia Civil de São Paulo deteve um dos integrantes do grupo suspeito de tentar desviar R$ 845 milhões da herança do empresário João Carlos Di Genio, fundador do Grupo Unip/Objetivo. De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira atuava como intermediador, facilitando contatos e ajudando a sustentar a versão de que a negociação era legítima. Outros oito investigados seguem foragidos. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles .
Na última terça-feira (31), uma operação mobilizou agentes para o cumprimento de nove mandados de prisão e 15 de busca e apreensão. Conforme apurado, o esquema para desviar o espólio de Di Genio teve início em novembro de 2021, poucos meses antes da morte do empresário. Na ocasião, os investigados teriam falsificado documentos para simular que ele havia firmado um contrato de compra e venda com a empresa Colonizadora Planalto Paulista.
Entre os alvos estão Anani Candido de Lara, sócio da Colonizadora Planalto Paulista, apontado como peça-chave da fraude, responsável pela produção de documentos e participação direta na cadeia contratual irregular.
Também figura entre os investigados Luiz Teixeira da Silva Júnior, que detém 95% do capital social da empresa e, segundo as apurações, teria garantido suporte financeiro e jurídico ao esquema. Ele já havia sido citado em uma operação da Polícia Federal em 2019, que indicou ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, esteve envolvido no episódio em que Pablo Marçal (União Brasil) divulgou um falso laudo médico contra Guilherme Boulos (PSOL) durante as eleições de 2024.
Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura é apontada como suposta “juíza arbitral” da Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda) e teria sido responsável por elaborar a sentença arbitral simulada que originou a cobrança milionária.
Rubens Maurício Bolorino aparece como testemunha nos contratos falsificados, conferindo aparência de legitimidade aos documentos. Já Wagner Rossi Silva foi identificado como operador logístico, encarregado do manuseio dos papéis falsos e de diligências em cartórios.
Patricia Alejandra Ormart Barreto é suspeita de simular notificações fraudulentas com o objetivo de forçar a revelia do espólio. Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, por sua vez, atuava na intermediação dos contatos e no reforço da narrativa de legalidade da negociação.
Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat teria participado da estruturação formal dos documentos utilizados no processo arbitral. Carlos Xavier Lopes, segundo as autoridades, integraria o núcleo financeiro, atuando na ocultação da origem e do destino dos recursos.
Também foram alvos de mandados de busca e apreensão Luiza Marcsicana de Freitas, além das empresas Colonizadora Planalto Paulista, que se apresentava como credora de uma dívida bilionária baseada em um negócio imobiliário inexistente, e a Fonamsp, entidade arbitral de fachada usada para criar o título executivo.
Perícias técnicas confirmaram que as assinaturas do empresário e de seu procurador foram falsificadas por meio de decalque e montagem. Foram produzidos contratos envolvendo 448 imóveis em Piraju, no interior paulista, além de uma nota promissória de R$ 635 milhões e termos de transferência de posse, todos com assinaturas falsas.
Em agosto de 2024, o grupo investigado teria notificado o espólio do empresário exigindo o pagamento da suposta dívida, no valor de R$ 845 milhões. Diante da recusa e do desconhecimento da transação por parte da inventariante, os suspeitos tentaram induzir o Judiciário ao erro ao protocolar um pedido de habilitação de crédito no processo de inventário. Apesar de conseguirem inicialmente a reserva do valor, a decisão foi posteriormente anulada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) diante dos indícios de fraude.
Segundo o Ministério Público, as investigações indicam que os envolvidos, alguns com histórico criminal, utilizaram documentos falsos, fraude processual, corrupção e simulações de procedimentos arbitrais para dar aparência legal a cobranças milionárias indevidas.
Em nota ao portal Metrópoles, a viúva de Di Genio, Sandra Rejane Gomes Miessa, afirmou que tomou conhecimento, em meados de 2025, de que terceiros estariam exigindo valores milionários com base em uma operação imobiliária inexistente, construída com o uso de assinaturas falsificadas e outros meios ilícitos.
Os fatos, segundo ela, que atua como inventariante do espólio, foram comunicados às autoridades competentes, acompanhados de todas as provas disponíveis até o momento.
“Destaca-se, por fim, a confiança no trabalho das autoridades para cabal elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos”, termina a nota de Miessa.