O ministro Gilmar Mendes , do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nessa quinta-feira (9) que ouviu de um diretor da Polícia Federal que “entre 32 e 34” deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro receberiam pagamentos da máfia do jogo do bicho.
A declaração foi feita durante o julgamento que discute o modelo de escolha do novo governador do Rio de Janeiro, após a renúncia e cassação de Claudio Castro (PL). Na ocasião, o ministro traçou um cenário de suposta degradação institucional no estado, com a infiltração do crime organizado em estruturas de poder, citando também a prisão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar .
“Nós estamos vendo estes episódios a toda hora. O presidente da Assembleia, preso. Eu conversava com o diretor da Polícia Federal, que dizia que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebem mesada do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser causa de decidir, mas é preciso ter isso como motivo”, afirmou Gilmar.
O ministro não mencionou o nome do diretor da PF. Pelo contexto, a referência pode ser ao atual diretor-geral, Andrei Rodrigues, que não comentou até o momento a declaração.
Outros ministros também reforçaram a preocupação com a presença do crime organizado nas instituições do estado. Entre eles, Alexandre de Moraes afirmou que a ação em análise não poderia ser julgada de forma isolada, mas como parte de “um grande esquema”. Nenhum nome específico foi citado.
Defesa do Rio
A defesa do estado foi feita pelo ministro Luiz Fux, que é carioca. Ele pediu a palavra ao presidente da Corte, Edson Fachin, para rebater o que classificou como um “descrédito generalizado” em relação ao Rio de Janeiro.
“Eu sou carioca de nascença e eu verifiquei que houve uma manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada. (...) Há bons políticos no Estado do Rio de Janeiro, que representam o Estado na Câmara Federal. São excelentes políticos. De sorte que, se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”, disse Fux.
Julgamento em andamento
O STF julga desde quarta-feira (8) o processo que definirá o formato da eleição para o chamado mandato-tampão no governo do Rio de Janeiro. O ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo temporariamente a análise. Até o momento, o placar é de 4 votos a 1 a favor da realização de eleições indiretas.