A proposta de delação premiada apresentada pela defesa do empresário Roberto Augusto Leme, o Beto Louco , tem encontrado resistência entre promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O investigado tenta firmar um acordo de colaboração após ter uma negociação anterior rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo apuração, integrantes do MPSP cobram informações sobre a possível participação de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) no esquema relacionados a fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
O caso veio à tona com a deflagração da Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que teve como alvo um grupo empresarial suspeito de atuar de forma irregular na produção e distribuição de combustíveis.
Os promotores também exigem que a eventual delação traga provas inéditas, que ainda não tenham sido obtidas ao longo das investigações, como condição para avançar nas negociações.
Beto Louco está foragido há mais de sete meses e é apontado como gestor financeiro do grupo Copape/Aster, investigado na operação. O conglomerado é controlado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, que também se encontra foragido e igualmente tenta firmar um acordo de delação premiada com as autoridades.
A resistência por parte do Ministério Público ocorre justamente pela avaliação de que, até o momento, a proposta apresentada não traz elementos novos suficientes nem esclarece de forma consistente a suposta ligação com o PCC, considerada um dos pontos centrais da investigação, que deu origem a outros inquéritos, a exemplo da Operação Carbono Oculto 86, no estado do Piauí.