O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo , afirmou nesta quarta-feira (8) que não há, até o momento, qualquer auditoria ou sindicância interna que atribua responsabilidade ao ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto no caso envolvendo o Banco Master.

A declaração foi feita durante participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, após questionamentos sobre a atuação de Campos Neto à frente do Banco Central no período em que o banco de Daniel Vorcaro enfrentava dificuldades. Segundo Galípolo, não há elementos formais que apontem falhas na condução do caso pelo antecessor.

Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central/Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto

O tema tem sido alvo de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em diferentes ocasiões, associou a origem da crise do Banco Master à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Campos Neto ao cargo.

Ao detalhar a situação financeira da instituição, Galípolo explicou que o agravamento do passivo comprometeu a capacidade de funcionamento do banco. “Aquele passivo vai consumindo o caixa do banco até que, no dia da liquidação, o banco tinha em caixa um valor de 10% do que ele tinha para pagar naquele dia, o que gera a liquidação”, afirmou.

O presidente do Banco Central ressaltou que a decisão de liquidar o Banco Master, em novembro do ano passado, ocorreu após o próprio banco admitir dificuldades financeiras. De acordo com ele, o avanço das dívidas reduziu drasticamente a liquidez da instituição, impedindo o cumprimento de obrigações.

Galípolo também evitou fazer críticas diretas à gestão anterior e destacou que o processo de liquidação seguiu critérios técnicos e legais. Questionado pelo senador Fabiano Contarato sobre a possibilidade de a medida ter sido adotada ainda na gestão de Campos Neto, ele ponderou que decisões desse tipo exigem cautela e respaldo jurídico.

Sem anúncio no momento

“Eu cheguei em janeiro de 2025. E, ainda assim, a gente teve que cumprir todos os ritos, justamente para que a gente estivesse bem calçado”, disse. Ele acrescentou que a decisão continua sendo analisada por órgãos de controle: “Ainda em meados de 2025, existia, na opinião pública e em debate, a ideia de que a rejeição da compra do BRB não deveria ter ocorrido. E, ainda hoje, estou respondendo em órgãos de controle se a liquidação não foi feita de maneira precipitada”.