O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2) que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro , o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), agem como “traidores da pátria” ao defenderem aproximação com o Governo dos Estados Unidos em meio às discussões sobre possíveis sobretaxas contra produtos brasileiros. Durante discurso em Goiás, o petista citou a Inconfidência Mineira ao criticar os parlamentares e sugeriu punição aos irmãos Bolsonaro.
A declaração foi dada durante a cerimônia de entrega do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão. Em meio à repercussão das possíveis sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, Lula criticou a postura de parlamentares ligados à direita e associou os filhos de Jair Bolsonaro às tensões diplomáticas envolvendo o governo norte-americano. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria?”, declarou o presidente.
A fala, entretanto, contém um erro histórico. Joaquim Silvério dos Reis, apontado como delator da Inconfidência Mineira, não foi executado. Ele recebeu benefícios da Coroa portuguesa, mudou-se para o Maranhão e morreu de causas naturais. Quem acabou condenado à forca e esquartejado em 1792 foi Tiradentes.
Durante o pronunciamento, Lula também relembrou declarações de Flávio Bolsonaro feitas após o anúncio de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2025. Segundo o chefe do Executivo, os filhos do ex-presidente incentivaram a interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, afirmou.
Mais cedo, em entrevista à rádio Itatiaia, Flávio Bolsonaro comentou a viagem que fez recentemente aos Estados Unidos e relatou encontro com Donald Trump na Casa Branca. O senador afirmou ter defendido os interesses econômicos brasileiros e pedido que empresas nacionais não fossem prejudicadas por novas tarifas comerciais. “Pedi expressamente: ‘Não taxem as empresas brasileiras’”, disse o parlamentar.