O ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ) prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal ( PCDF ) sobre uma arma registrada em seu nome que foi apreendida com um integrante de sua equipe de segurança durante uma blitz em Brasília. Segundo a defesa, Bolsonaro afirmou que o armamento havia sido entregue ao militar para reparo após a identificação de um defeito mecânico.

De acordo com o advogado Paulo Cunha Bueno, o ex-presidente reiterou as informações já apresentadas ao Supremo Tribunal Federal ( STF ) e explicou que a arma estava regularmente registrada e permanecia sob sua responsabilidade. O depoimento ocorreu na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em Brasília.

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Jair Bolsonaro

A defesa sustenta que Bolsonaro percebeu uma falha no funcionamento da arma e solicitou ao segurança que providenciasse o conserto do equipamento.

Segundo os advogados, não houve intenção de descumprir qualquer determinação judicial e a arma permanecia legalmente registrada. A defesa também afirma que o armamento deveria permanecer vinculado ao endereço residencial do ex-presidente e espera o arquivamento da investigação.

Arma foi encontrada durante blitz

A investigação teve início após um militar do Exército que atua na segurança do ex-presidente ser abordado em uma fiscalização de trânsito. Durante a revista, os policiais encontraram uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro.

Sem anúncio no momento

A partir da ocorrência, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da posse da arma pelo segurança. O caso foi comunicado ao ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal do ex-presidente.

Como Bolsonaro está proibido de utilizar equipamentos eletrônicos em razão das medidas impostas pela Justiça, Moraes determinou que o depoimento fosse realizado presencialmente.

Prisão domiciliar será reavaliada

O episódio ocorre em um momento decisivo para Bolsonaro. O prazo da prisão domiciliar humanitária concedida pelo STF se encerra nesta semana, e a situação do ex-presidente deverá ser reavaliada por Alexandre de Moraes.

Aliados e integrantes da defesa argumentam que Bolsonaro ainda necessita de acompanhamento médico contínuo após problemas de saúde registrados nos últimos meses. Um boletim divulgado recentemente apontou melhora no quadro clínico, com evolução na recuperação do ombro operado e redução das crises de soluço.

Condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março, quando recebeu alta hospitalar após tratamento de um quadro de pneumonia. O caso da arma apreendida agora passa a integrar os elementos que poderão ser analisados pela Corte na decisão sobre a continuidade ou não do benefício.