A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo ( OAB-SP ) informou nesta quarta-feira (24) a suspensão do exercício profissional da advogada e influenciadora Deolane Bezerra . A medida tem efeito imediato e impede que ela atue na advocacia temporariamente, enquanto responde a processo disciplinar instaurado pela entidade.

Deolane está presa preventivamente desde 22 de maio no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ela é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e envolvimento com o Primeiro Comando da Capital ( PCC ).

Segundo a OAB-SP, a suspensão inicial tem duração de 90 dias, podendo ser prorrogada sucessivamente até o limite de 360 dias. Nesse período, o caso seguirá sendo analisado pelo Tribunal de Ética e Disciplina da entidade.

Em nota, a Ordem afirmou que todos os procedimentos tramitam sob sigilo, conforme previsto no Estatuto da Advocacia.

Foto: Reprodução/Instagram
Com a suspensão da OAB-SP, Deolane fica temporariamente impedida de exercer a advocacia.

Defesa contesta decisão

A defesa de Deolane criticou a suspensão e informou que pretende recorrer da medida.

Em nota, os advogados da influenciadora afirmaram ter sido surpreendidos pela divulgação da decisão e alegaram que a determinação foi tomada sem a observância do contraditório e do direito de defesa.

Sem anúncio no momento

"A decisão é equivocada, absolutamente inadequada e será objeto de recurso imediato", diz trecho do comunicado divulgado pelos representantes da advogada.

Investigação e prisão

Deolane foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo e se tornou ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau.

Além da influenciadora, outras pessoas ligadas à investigação também passaram a responder ao processo, entre elas Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do PCC.

As investigações apontam que Deolane movimentou cerca de R$ 13,6 milhões em contas pessoais entre 2018 e 2022. Outros R$ 14 milhões teriam passado por empresas vinculadas à influenciadora.

De acordo com a Polícia Civil, há suspeitas de que parte dos recursos tenha origem ilícita. A defesa, por sua vez, nega qualquer relação da influenciadora com o crime organizado e sustenta que todos os valores possuem origem comprovada e declarada.