O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que solicitou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , a retomada de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes , e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes . A declaração foi feita durante entrevista concedida ao canal TCM News.

Segundo Eduardo, a medida defendida por ele seria a reaplicação das punições previstas na Lei Magnitsky , legislação norte-americana utilizada para sancionar indivíduos acusados de violações de direitos humanos e corrupção. O ex-parlamentar ressaltou que a iniciativa partiu de sua posição pessoal e não representaria necessariamente o entendimento de seu irmão, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

Foto: Reprodução/Instagram
Eduardo Bolsonaro

Durante a entrevista, Eduardo negou que ele e Flávio tenham solicitado ao governo dos Estados Unidos a imposição de novas tarifas comerciais contra o Brasil. De acordo com ele, a família Bolsonaro teria defendido que eventuais medidas econômicas fossem adiadas até a realização das eleições presidenciais. “A gente acredita que punições individuais contra pessoas que estão se comportando como tiranos são válidas e sempre buscamos, como a Lei Magnitsky, que eu particularmente, não falo pelo Flávio, pedi o retorno delas contra o Moraes e sua esposa”, disse o ex-parlamentar.

As declarações ocorrem em meio ao avanço de investigações envolvendo o ex-deputado. O Supremo Tribunal Federal marcou para o próximo dia 16 o julgamento de uma ação em que Eduardo é acusado de coação no curso do processo. Conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria buscado apoio de autoridades norte-americanas para promover sanções contra ministros da Corte e pressionar instituições brasileiras.

Na semana passada, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo participaram de encontros com autoridades norte-americanas, incluindo o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Dias depois, o governo americano anunciou a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O ex-deputado também comentou a possibilidade de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, Flávio Bolsonaro teria defendido a construção de um acordo de livre comércio entre Brasil e Estados Unidos, o que, em sua avaliação, poderia evitar a adoção de novas barreiras comerciais.

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Ao abordar o sistema de pagamentos instantâneos Pix, Eduardo afirmou que o Brasil possui argumentos para defender a ferramenta em eventuais negociações com os norte-americanos. Ele citou o sistema Zelle, utilizado nos Estados Unidos por instituições financeiras privadas, como um modelo semelhante ao mecanismo brasileiro.

Durante a entrevista, Eduardo ainda comentou a relação de Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O ex-deputado afirmou que os recursos obtidos junto ao empresário foram destinados à produção do filme “Dark Horse”, obra que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Eduardo, as críticas envolvendo o financiamento do projeto têm motivação política e buscam desgastar a imagem de seu irmão no cenário eleitoral. Ele negou qualquer irregularidade na destinação dos recursos e afirmou que os valores foram integralmente aplicados na produção cinematográfica.