Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) realiza, nesta quarta-feira (01º), uma ampla operação contra integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Batizada de Operação Coluna Sul, a ofensiva cumpre 151 mandados de prisão temporária e integra uma nova etapa das investigações iniciadas pela Operação Maserati, que apura a atuação da facção no Sul do país.

Ao todo, a Justiça expediu 320 ordens judiciais, entre elas 151 mandados de prisão temporária e 168 de busca e apreensão. As ações ocorrem em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Os alvos são investigados por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de arma de fogo.

Foto: Reprodução
Polícia Civil de Santa Catarina

Dados da Polícia Federal apontam que, nos últimos quatro anos, o PCC foi alvo de 284 operações em todo o país. Nesse período, mais de 1,1 mil pessoas ligadas à organização criminosa foram presas. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, a operação mobiliza uma grande estrutura de segurança. Participam da ação 103 integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), cerca de 552 agentes, 198 viaturas e dois helicópteros. Também dão suporte às diligências as polícias Civil, Militar e Penal, o Corpo de Bombeiros Militar e forças de segurança dos demais estados envolvidos.

Durante o cumprimento dos mandados no Paraná, equipes do Gaeco foram recebidas a tiros por suspeitos ligados ao PCC. Conforme o Ministério Público, os agentes reagiram à "injusta agressão" para conter o ataque. Um dos suspeitos morreu durante o confronto após, segundo a investigação, disparar contra os policiais utilizando uma pistola equipada com seletor de rajada.

As primeiras imagens divulgadas pelo MPSC mostram que parte dos mandados foi executada dentro de uma unidade prisional, cuja localização não foi informada pelas autoridades.

A Operação Coluna Sul é resultado das investigações iniciadas em 2021 com a Operação Maserati, conduzida pelo Gaeco de Santa Catarina para desarticular a estrutura utilizada pelo PCC na tentativa de ampliar sua presença no estado. Ao longo das diferentes etapas da apuração, foram identificados integrantes da organização, apreendidas armas, drogas e documentos, além da coleta de provas sobre o funcionamento da facção.

Sem anúncio no momento

Na primeira fase da Operação Maserati, foram cumpridos 120 mandados de prisão e 142 de busca e apreensão em seis estados. As investigações revelaram que o grupo criminoso mantinha uma estrutura hierarquizada, semelhante à de uma empresa, com divisão de funções e planejamento para expandir o controle do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas em Santa Catarina. Os investigadores também identificaram vínculos da facção com homicídios, roubos e crimes praticados tanto dentro quanto fora do sistema prisional.

Já em 2023, as segunda e terceira fases da Operação Maserati ampliaram o alcance das investigações, com novos mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes estados. Segundo o Ministério Público, o material reunido nessas etapas permitiu identificar outros integrantes da organização e aprofundar o mapeamento de sua atuação. De acordo com o MPSC, o avanço das investigações nas fases anteriores possibilitou a deflagração da Operação Coluna Sul, que tem como principal objetivo reduzir a capacidade de articulação do PCC dentro e fora das unidades prisionais.