O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ao anúncio dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras, classificando a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países. Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o Executivo informou que adotará medidas para responder às restrições comerciais impostas por Washington.

Entre as providências anunciadas está o início dos procedimentos para aplicação da Lei da Reciprocidade, instrumento que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que estabeleçam barreiras comerciais consideradas unilaterais.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula

Governo acusa família Bolsonaro

Na manifestação oficial, o Planalto também atribuiu parte da responsabilidade pelo desfecho da investigação americana à atuação da família Bolsonaro. Segundo o governo, integrantes do grupo político teriam colaborado com as autoridades dos Estados Unidos durante o processo, motivados por interesses eleitorais.

O comunicado afirma que "proteger a soberania nacional é uma obrigação que está acima de disputas partidárias" e critica o que chamou de postura de "falsos patriotas", ao defender que os interesses do país devem prevalecer independentemente do cenário político.

Flávio Bolsonaro defendeu adiamento

Antes da oficialização da medida, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participou de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no último dia 7. Na ocasião, ele defendeu o adiamento da aplicação das tarifas.

Segundo o parlamentar, a adoção imediata da sobretaxa poderia acabar favorecendo politicamente o governo Lula, além de penalizar setores econômicos brasileiros que, segundo ele, não seriam responsáveis pelo impasse comercial.

Sem anúncio no momento

Brasil recorrerá à OMC

Além da possibilidade de retaliação comercial, o governo brasileiro informou que pretende contestar a legalidade da medida na Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as investigações conduzidas pelos Estados Unidos não encontram respaldo nas normas multilaterais de comércio.

O Planalto também reafirmou que o Brasil participou das negociações ao longo do processo e sustentou que nunca abandonou a mesa de diálogo em busca de uma solução para preservar os interesses nacionais.

Tarifa entra em vigor no dia 22

O governo americano determinou que a sobretaxa passe a valer em 22 de julho. Segundo Washington, a decisão foi tomada após considerar insuficientes as respostas brasileiras às preocupações relacionadas ao acesso de produtos americanos ao mercado nacional, especialmente no setor de etanol, além de questões envolvendo a proteção da propriedade intelectual.

Os Estados Unidos informaram que mercadorias brasileiras que já estiverem em trânsito e chegarem aos portos americanos até 29 de julho ficarão isentas da nova cobrança. Também foi divulgada uma lista de produtos que permanecerão livres da tarifa, com o objetivo de reduzir impactos sobre a economia norte-americana.

Plano para reduzir impactos

Como estratégia para minimizar os efeitos da medida sobre a economia brasileira, o governo anunciou o fortalecimento do Plano Brasil Soberano, voltado à proteção dos setores produtivos que possam ser afetados pelas novas tarifas.

Além disso, o Executivo pretende ampliar a diversificação das relações comerciais do país, destacando avanços recentes em acordos firmados pelo Mercosul com parceiros como União Europeia, Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), buscando reduzir a dependência do mercado americano.