O governo Lula (PT) emitiu uma nota em que disse estar “preocupado” com a recente declaração do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega , em que ele anunciou no último domingo (19) o fim das eleições no país. A manifestação foi publicada dias após a manifestação do ditador, e levanta dúvidas sobre a disposição do governo em responder à queda da democracia em países com regimes autoritários no poder.

Conforme a nota veiculada pelo Ministério das Relações Exteriores , o posicionamento do governo brasileiro se limita apenas a reiterar seu compromisso com a democracia, e convocou as autoridades nicaraguenses a garantirem os direitos civis e eleições livres.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Palácio do Itamaraty

Segundo análise do cientista político Adriano Gianturco, coordenador e professor do Ibmec, o intervalo de tempo entre a declaração de Ortega e a manifestação do Ministério das Relações Exteriores é um indicativo de houve dúvidas internas sobre como o Brasil iria reagir à declaração.

Ele pontuou que, caso contrário, a nota teria sido publicada logo depois. “Se o governo não tivesse dúvidas, teria divulgado a nota imediatamente. Não havia motivo para esperar quatro dias, principalmente porque a comunidade internacional e a imprensa condenaram o anúncio logo após a declaração de Ortega”, considerou o cientista político.

A nota do Imaraty foi emitida depois do pronunciamento dos Estados Unidos, que classificou a decisão como mais uma etapa no processo de consolidação do regime comandado por Ortega. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara também se posicionou antes do governo Lula, ocasião em que repudiou a declaração do ditador.

Sem anúncio no momento