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Defesa de Bolsonaro não recorre e Moraes pode determinar cumprimento de pena

O ex-presidente está detido desde sábado (22) na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O prazo para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentasse embargos de declaração na ação penal nº 2668 (núcleo 1) se encerrou às 23h59 desta segunda-feira (24). Como nenhum recurso foi protocolado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pode agora declarar o trânsito em julgado, etapa que abre caminho para o início do cumprimento da pena. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelos supostos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

As defesas do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e do ex-ministro Anderson Torres também deixaram passar o prazo sem apresentar embargos. O período para novos recursos havia começado na última terça-feira (18), após a Primeira Turma rejeitar, por unanimidade, os embargos anteriores de todos os réus.

Foto: Alan Santos/PRJair Bolsonaro
Jair Bolsonaro

Os embargos de declaração são usados para pedir esclarecimentos sobre pontos obscuros ou omitidos em uma decisão. Na prática, porém, tanto a doutrina quanto a jurisprudência entendem que o juiz não é obrigado a responder a todos os argumentos levantados pela defesa, o que faz com que esse tipo de recurso seja, na maioria das vezes, rejeitado. Tribunais costumam ainda classificar embargos dessa natureza como protelatórios, quando o objetivo aparenta ser apenas atrasar os efeitos de uma condenação.

Bolsonaro segue preso preventivamente, mas por outro processo — o que investiga uma suposta tentativa de interferir em apurações e pressionar o Judiciário por meio de sanções internacionais. Moraes, alvo das sanções previstas na Lei Magnitsky, é um dos atingidos pela suposta articulação.

O ex-presidente estava em prisão domiciliar até que o STF determinou sua prisão após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocar apoiadores para uma vigília na porta da casa da família. O próprio Bolsonaro admitiu ter tentado abrir a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda “por curiosidade”. A defesa e aliados afirmam que ele estaria sob efeito de medicação forte. A ordem de prisão assinada por Moraes foi posteriormente confirmada de forma unânime pelos ministros da Primeira Turma.

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