Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para a realização urgente de um procedimento cirúrgico fora do ambiente prisional. Bolsonaro está preso desde o dia 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.
Segundo a defesa, exames de ultrassonografia realizados na tarde de domingo (13), nas dependências da PF, identificaram a presença de duas hérnias inguinais. Diante do diagnóstico, os médicos recomendaram a realização imediata de cirurgia, apontada como a única forma definitiva de tratamento para o quadro clínico. De acordo com o pedido encaminhado ao STF, a cirurgia não pode ser realizada em ambiente prisional e deverá ocorrer em hospital da rede privada, com indicação do Hospital DF Star. O tempo estimado de internação varia entre cinco e sete dias.
“O médico responsável pelo acompanhamento, Dr. Claudio Birolini, elaborou novo relatório médico, no qual, de forma expressa e fundamentada, reitera a necessidade de realização do procedimento cirúrgico de herniorrafia inguinal bilateral, em regime de internação hospitalar, sob anestesia geral, com tempo estimado de permanência entre cinco e sete dias”, afirma a defesa.
Os advogados classificaram a situação como de “máxima urgência” e alertaram para riscos à integridade física do ex-presidente caso a cirurgia seja adiada. Segundo o documento, a permanência em regime fechado sem acesso contínuo a cuidados médicos de alta complexidade pode resultar em agravamento súbito do quadro clínico e necessidade de internação emergencial.
Diante disso, a defesa voltou a pedir a concessão de prisão domiciliar humanitária. “Não se está diante de hipótese remota ou preventiva abstrata, mas de necessidade médica atual, objetiva e comprovada, cuja postergação expõe o peticionário a risco real de agravamento súbito, internação emergencial e possíveis complicações cirúrgicas evitáveis”, sustentam os advogados.
Exames e autorizações
No sábado (13), Alexandre de Moraes autorizou a entrada de um médico na cela de Bolsonaro com um aparelho portátil de ultrassom para a realização dos exames. A autorização foi concedida após pedido da defesa, apresentado na quinta-feira (11), com o objetivo de verificar a existência de hérnia inguinal bilateral sem necessidade de deslocamento do ex-presidente.
A defesa informou, por meio das redes sociais, que os exames confirmaram o diagnóstico. “Os exames identificaram duas hérnias inguinais, e os médicos recomendaram que ele seja submetido a um procedimento cirúrgico, a única forma de tratamento definitivo para o quadro”, afirmou o advogado João Henrique de Freitas.
Pedido anterior e perícia oficial
O novo pedido ocorre após Moraes afirmar que documentos médicos apresentados anteriormente eram antigos e determinar que a Polícia Federal realize perícia médica oficial no prazo de 15 dias para avaliar a necessidade de intervenção cirúrgica imediata. O prazo ainda está em curso.
Em petição apresentada no dia 9 de dezembro, a defesa já havia solicitado autorização para a realização da cirurgia no Hospital DF Star, além da permanência do ex-presidente no local pelo tempo necessário para recuperação adequada.
Após a decisão do ministro, os advogados alegaram ter recebido relatório médico atualizado, subscrito pelo Dr. Claudio Birolini, solicitando com urgência a realização de exames de imagem. O objetivo, segundo a defesa, foi acelerar e viabilizar a perícia oficial com elementos diagnósticos atualizados.
Situação prisional
Bolsonaro está preso desde 22 de novembro, inicialmente em prisão preventiva em razão de episódios relacionados à vigília e ao uso de tornozeleira eletrônica. Após o trânsito em julgado do processo sobre a trama golpista, em 25 de novembro, passou a cumprir pena em regime fechado.
A hérnia inguinal é caracterizada pelo deslocamento de parte do intestino ou de tecido abdominal por uma abertura na região da virilha, podendo causar inchaço, dor e desconforto, especialmente durante esforços físicos.
Izabella Furtado
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