O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), voltou a afirmar nesse sábado (23) que existe um plano de fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Segundo o parlamentar, o trajeto entre o condomínio onde Bolsonaro mora e a sede diplomática levaria apenas dez minutos.
Na última semana, Lindbergh protocolou um pedido de prisão preventiva contra o ex-presidente, alegando que recebeu informações de que ele poderia buscar refúgio na embaixada norte-americana para depois tentar um salvo-conduto que lhe permitiria deixar o país.
“Se ele entra aqui na embaixada, acabou. A confusão está feita porque, ele entrando, pode pedir asilo político depois e pede salvo-conduto. O governo americano pode pedir salvo-conduto para ele sair do país”, declarou. O deputado acrescentou que não há qualquer monitoramento da Polícia Federal (PF) no percurso.
O petista destacou que a concessão de um salvo-conduto poderia ser recusada pelo Brasil, mas, segundo ele, isso geraria uma crise diplomática com os Estados Unidos, em um cenário já sensível após o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros e pressões recentes de autoridades americanas sobre o Judiciário brasileiro.
Histórico de tentativas de asilo
Lindbergh lembrou episódios anteriores envolvendo Bolsonaro, como a estadia de dois dias na Embaixada da Hungria e uma carta de 33 páginas pedindo asilo diplomático à Argentina.
Na última semana, a PF afirmou ter encontrado uma minuta com um suposto pedido urgente de asilo ao presidente argentino Javier Milei. A defesa de Bolsonaro e o governo argentino negaram que o documento tenha sido entregue. “Tá na cara que a fuga dele é entrar aqui. As autoridades brasileiras têm que entender o momento que a gente está vivendo”, reforçou Lindbergh.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou que a defesa de Bolsonaro se manifestasse sobre o caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve decidir até segunda-feira (25) se mantém o ex-presidente em prisão domiciliar ou se decreta a prisão preventiva em regime fechado.
Apoio político
Enquanto enfrenta novos indiciamentos e o julgamento no STF pela suposta tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro recebeu apoio público do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Durante discurso na Festa do Peão de Barretos, na noite de sábado (23), Tarcísio disse que o ex-presidente sofre injustiça e humilhação. “Uma pessoa que fez tudo por mim, me abriu portas e que está passando por uma grande injustiça. Mas, se a humilhação traz tristeza, o tempo vai trazer justiça, eu tenho certeza que a justiça chegará”, afirmou.
O julgamento de Bolsonaro e aliados no STF está previsto para começar no dia 2 de setembro e se estender até o dia 12.
Izabella Furtado
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