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Secretaria afasta direção de colônia agrícola após visitas irregulares a Daniel Silveira

Visitas ocorreram em dias e horários não autorizados e sem comunicação ao Supremo Tribunal Federal.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) do Rio de Janeiro afastou, no dia 4 de setembro, toda a direção da Colônia Agrícola Marco Aurélio de Mattos, localizada em Magé, após denúncias de visitas irregulares ao ex-deputado federal Daniel Silveira. A medida foi tomada após o caso chegar ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou esclarecimentos e imagens do circuito interno da unidade para apurar possíveis irregularidades nas visitas.

De acordo com a SEAP, as visitas ocorreram em dias e horários não autorizados, sem comunicação prévia ao STF ou consentimento da secretaria. O material bruto de videomonitoramento já foi recolhido e aguarda o ofício oficial do Supremo para ser encaminhado. Os registros indicam que as entradas aconteceram entre os dias 4 e 24 de junho, contrariando as normas estabelecidas para o acesso a detentos, especialmente no caso de Daniel Silveira, cuja custódia exige autorização judicial específica.

Foto: Cleia Viana/ Câmara dos DeputadosDaniel Silveira
Daniel Silveira

Documentos enviados ao STF apontam que Silveira recebeu visitas em condições distintas das permitidas aos demais internos. Entre os nomes citados estão o ex-vereador do Rio de Janeiro, Major Elitusalen Gomes Freire, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e o tenente-coronel da Polícia Militar Guilherme Costa de Souza Moraes, atual secretário de Proteção e Defesa Civil de Petrópolis. Todos teriam sido previamente informados de que qualquer visita ao ex-parlamentar deveria ser autorizada pelo Supremo.

O diretor da unidade confirmou que as visitas ocorreram sem aviso prévio e que os visitantes foram orientados sobre a necessidade de autorização judicial. Mesmo assim, as entradas foram liberadas, o que motivou a decisão da SEAP de afastar a direção por insubordinação. A secretaria classificou a conduta como grave e contrária às normas internas, reforçando que não houve qualquer autorização formal para os encontros.

A investigação sobre o caso foi iniciada após o ministro Alexandre de Moraes tomar conhecimento das denúncias em 27 de agosto. No dia seguinte, ele requisitou esclarecimentos e o envio das imagens do circuito interno da colônia agrícola. A apuração busca verificar se houve favorecimento indevido ao ex-deputado, que cumpre pena por crimes contra o Estado Democrático de Direito, conforme sentença proferida em 2022.

Daniel Silveira foi condenado a oito anos e nove meses de prisão por ameaças ao STF, incitação a atos antidemocráticos e coação no curso do processo. Desde então, cumpre pena em regime fechado. A SEAP ressaltou que qualquer visita ao ex-parlamentar deve seguir os trâmites legais e que medidas administrativas foram adotadas para garantir o cumprimento das normas nas unidades prisionais do estado.

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