O tenente-coronel Clóvis Eduardo Condi, da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), condenado em primeira instância por fraude processual e corrupção de menores, se aposentou em julho deste ano e recebeu R$ 648 mil. Do valor, R$ 622 mil correspondem a licenças-prêmio não usufruídas.
Condi foi condenado pela 1ª Vara Criminal do Gama, em 2023, a cumprir pena em regime aberto, posteriormente convertida em prestação de serviços comunitários. Tanto a defesa quanto o Ministério Público do DF (MPDFT) recorreram, e o caso ainda aguarda julgamento em segunda instância.
Segundo o TJDFT, o processo não transitou em julgado e segue em análise no 2º grau. Questionado sobre eventual perda de cargo ou exclusão do quadro da PMDF, o tribunal informou que a competência é da Corregedoria da Polícia Militar.
De acordo com a legislação, policiais e bombeiros militares têm direito a seis meses de licença a cada 10 anos de serviço. Quando não usufruído, o benefício é convertido em dinheiro e pago no ato da aposentadoria. Condi entrou para a reserva da PMDF, equivalente à aposentadoria militar em julho e, por isso, recebeu os valores acumulados, além do salário.
Relembre o caso Naja
O nome do oficial ganhou destaque em 2020, quando veio à tona o chamado caso Naja. Em 7 de julho daquele ano, o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Krambeck, então com 22 anos, foi picado por uma cobra Naja mantida ilegalmente em seu apartamento no Guará.
O jovem chegou a ficar em coma e só sobreviveu graças ao soro antiofídico fornecido pelo Instituto Butantan. A investigação revelou que ele mantinha e comercializava serpentes nativas e exóticas de forma ilegal, adquiridas em estados como São Paulo e Bahia.
A polícia concluiu que Pedro Henrique contava com a participação da mãe, Rose Meire, e do padrasto, Clóvis Condi, que teriam sido coniventes com o esquema, ajudando nos cuidados dos animais e até na manipulação de ovos das serpentes.
Izabella Furtado
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