Divulgado nesta sexta (27), um levantamento nacional da AtlasIntel indica que a maior parte dos brasileiros reprova as novas limitações estabelecidas pelo governo Lula (PT) para a antecipação do saque-aniversário do FGTS. Entre os trabalhadores que já recorreram à antecipação, 90% se posicionam contra o encerramento da modalidade. Encomendada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e pela Zetta, entidade que reúne as principais fintechs do país, a pesquisa aborda o funcionamento do saque-aniversário, mecanismo que autoriza o trabalhador a retirar anualmente uma parte do saldo das contas vinculadas ao FGTS no mês de seu aniversário.
Trata-se de uma modalidade de crédito que permite adiantar até 5 anos desses saques, originalmente liberados apenas no mês de aniversário. O montante é disponibilizado com rapidez, apresenta juros inferiores aos de outras linhas de crédito e não afeta a renda mensal do trabalhador. Desde novembro de 2025, passou a ser exigido um prazo de 90 dias para que o trabalhador que aderir ao saque-aniversário realize a primeira antecipação. Até então, a contratação podia ocorrer imediatamente após a adesão. Entre novembro de 2025 e outubro de 2026, ficou permitido antecipar até 5 saques-aniversários apenas uma vez por ano. Após esse intervalo, o limite será reduzido para 3 parcelas, com valores mínimos de R$ 100 e máximo de R$ 500.
Realizada em novembro de 2025, a pesquisa aponta que 70% das pessoas que conhecem o mecanismo avaliam as novas regras como prejudiciais ao trabalhador. Conforme dados do Ministério do Trabalho, as operações de alienação do FGTS totalizaram R$ 236 bilhões entre 2020 e 2025.
Em nota, Eduardo Lopes, presidente da Zetta, afirmou que a antecipação do saque-aniversário desempenha papel relevante na organização financeira das famílias, sobretudo em situações emergenciais. Segundo ele, as restrições são percebidas como prejudiciais por limitarem o acesso a uma alternativa importante de crédito.
Os dados da AtlasIntel revelam ainda que o recurso é majoritariamente direcionado a necessidades urgentes. Entre aqueles que antecipam o benefício, as principais finalidades declaradas são:
Pagamento de dívidas urgentes: 69,6%;
Despesas médicas e medicamentos: 28,1%;
Compra de alimentos e itens essenciais: 7,1%.
Nenhum entrevistado mencionou o uso dos valores para apostas online, as chamadas bets. Para Alex Gonçalves, diretor de Crédito Consignado da ABBC, os números indicam que as restrições não correspondem à realidade financeira da população, ao eliminarem uma opção de crédito de menor custo e direcionarem o trabalhador a alternativas com taxas significativamente mais altas.
Gonçalves também declarou que a ABBC sustenta a necessidade de preservar a autonomia do cidadão sobre seus próprios recursos, considerando que as principais destinações envolvem despesas essenciais, como saúde e regularização de compromissos financeiros urgentes. De acordo com o levantamento, a avaliação dos usuários da modalidade em relação às mudanças é amplamente negativa. Aproximadamente 80% entendem que permitir somente uma operação anual prejudica o planejamento financeiro, discordando da tese de que a medida estimule maior controle de gastos.
Outros 84% desaprovam o teto de R$ 500 por parcela, por considerarem que o limite não impede o uso considerado “desnecessário” do saldo. Além disso, 51,3% dos brasileiros que já anteciparam o saque veem de forma negativa a exigência de três meses de carência para contratação, argumentando que a regra compromete a agilidade em situações emergenciais.
A AtlasIntel também questionou os participantes sobre a frequência de utilização da antecipação do saque-aniversário do FGTS:
1 a 2 vezes: 35,6%;
3 a 4 vezes: 22,5%;
5 a 10 vezes: 29,7%;
Mais de 10 vezes: 9,3%.
Ao todo, 4.243 pessoas foram entrevistadas por meio do Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança do estudo é de 95%.
Leandro Soares
Ver todos os comentários | 0 |