A advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ingressou com uma nova ação na Corte nesta segunda-feira (2). O cliente é o empresário do setor de mineração Lucas Prado Kallas, investigado em um desdobramento da Operação Rejeito.
Embora apenas Viviane Barci conste formalmente como advogada cadastrada no processo, a petição também é assinada por Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes, filhos do casal.
Kallas é alvo de investigação por suspeita de utilizar um plano de recuperação ambiental como fachada para expandir a exploração de minério, conforme revelado pela Agência Pública. Em fevereiro de 2025, o empresário foi publicamente elogiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o classificou como “um empresário sério, com uma visão nacional muito interessante que, antes de tudo, ama o Brasil”. À época, Kallas integrava o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão.
A ação era conduzida anteriormente por outro escritório de advocacia, mas foi transferida para Viviane Barci por meio de substabelecimento — instrumento jurídico que permite a delegação dos poderes recebidos em procuração. O caso segue sob inquérito policial em Minas Gerais e foi remetido ao STF pela 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, em razão do foro por prerrogativa de função.
Além de Kallas, também figuram como partes no processo as empresas LPK Participações e Consultoria, Extrativa Mineral S.A. e Cedro Participações S.A.
A movimentação ocorre em meio ao debate interno no Supremo sobre possíveis mudanças no código de ética da Corte, com a inclusão de restrições à atuação de advogados que tenham parentesco com ministros em processos que tramitam no tribunal. Em entrevista recente, o ministro Edson Fachin — pai de uma advogada — chegou a usar o termo “filhofobia” ao comentar as desconfianças relacionadas a eventuais conflitos de interesse.
No caso de Viviane Barci, a controvérsia é ampliada por um contrato de prestação de serviços firmado em 2024 com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões. A instituição financeira, atualmente sob liquidação extrajudicial, é alvo de investigações relacionadas a uma fraude estimada em R$ 12 bilhões no sistema bancário.
Jeyson Moraes
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