Nesta segunda-feira (09), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu início a uma apuração detalhada sobre operações financeiras relacionadas ao Banco Master, instituição já liquidada e controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, além de entidades que mantiveram vínculos diretos com o banco. A investigação busca identificar possíveis irregularidades capazes de ter afetado investidores, recursos públicos e a estabilidade do mercado de capitais.
As análises se concentram especialmente nas operações realizadas entre o Banco Master, a gestora Reag e outras instituições financeiras, como o Banco de Brasília (BRB). O objetivo é verificar eventuais falhas de transparência e práticas abusivas. Segundo a CVM, foi formado um grupo técnico responsável por examinar documentos e, se necessário, propor ajustes nas áreas de regulação, supervisão, governança processual e cooperação entre órgãos.
Em nota oficial, a autarquia explicou que a decisão faz parte dos procedimentos regulares de governança e gestão de riscos, permitindo a continuidade do acompanhamento do tema por seu comitê interno. Nesta fase inicial, o Comitê de Gestão de Riscos (CGR) teve acesso a informações sobre a atuação das áreas de supervisão, fiscalização e acusação ao longo dos últimos anos, além de comunicações já encaminhadas a outros órgãos públicos e do andamento de inquéritos relacionados.
A CVM informou ainda que o trabalho de revisão terá duração aproximada de três semanas, período destinado à consolidação e organização de fatos, processos e dados. A iniciativa visa aprimorar o diagnóstico institucional, garantir um monitoramento mais integrado das ações em curso e reforçar a prestação de contas à sociedade.
Paralelamente à apuração administrativa, a Polícia Federal conduz investigações sobre suspeitas de fraude contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master e a gestora Reag. Técnicos do Banco Central identificaram indícios de que fundos administrados pela Reag teriam sido utilizados em operações estruturadas para inflar artificialmente o patrimônio do banco, ocultando sua real situação financeira. A Reag também acabou sendo liquidada pela autoridade monetária.
No caso do Banco de Brasília, a investigação apura um prejuízo estimado em R$ 12,2 bilhões decorrente da aquisição de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master. Por determinação do Banco Central, a diretoria do BRB apresentou um plano de recapitalização, com um cronograma para recompor o capital mínimo exigido pelas normas prudenciais.
O BRB, que é uma sociedade de economia mista de capital aberto controlada pelo Governo do Distrito Federal, informou em nota que poderá adotar medidas preventivas de recomposição de capital ao longo dos próximos 180 dias, caso fique comprovada a necessidade de aporte financeiro.
Sem divulgar detalhes do plano encaminhado ao Banco Central, o banco reconheceu que estuda alternativas como a criação de um fundo de investimento lastreado em imóveis do Governo do Distrito Federal e um eventual aporte de seus controladores. Essas iniciativas, no entanto, dependem de autorização da Câmara Legislativa do DF.
Jeyson Moraes
Ver todos os comentários | 0 |