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Encontro entre Lula e Trump pode ser adiado em meio a tensões no Oriente Médio

Conflito envolvendo EUA e Irã muda cenário e pode postergar agenda entre os presidentes.

O Palácio do Planalto passou a considerar que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente previsto para março, deve ser remarcado. A avaliação dentro do governo é de que a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã acabou interferindo diretamente na agenda, já que o líder norte-americano está focado na crise internacional.

Diante desse contexto, auxiliares de Lula entendem que uma nova data pode ser mais adequada, permitindo que a reunião tenha maior repercussão e contribua para a construção de uma pauta mais produtiva entre os países.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da RepúblicaDonald Trump e Lula
Donald Trump e Lula

A expectativa pela viagem de Lula a Washington ganhou força após uma conversa por telefone entre os dois presidentes no fim de janeiro de 2026, quando discutiram, entre outros temas, a situação da Venezuela. A ligação ocorreu depois que o governo norte-americano anunciou a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, sob suspeita de envolvimento com o tráfico internacional.

Após o contato, a ida do presidente brasileiro aos Estados Unidos chegou a ser projetada para março. No entanto, com o avanço do conflito no Oriente Médio, o foco da Casa Branca se voltou quase integralmente para o Irã, o que impacta diretamente compromissos diplomáticos.

O próprio Trump sinalizou essa mudança de prioridades ao afirmar que não participaria do CPAC, evento da direita que ocorre nesta semana em Dallas, no Texas, justamente por conta da guerra.

Para quando o encontro ocorrer, o governo brasileiro pretende avançar em negociações estratégicas com os Estados Unidos, incluindo possíveis acordos envolvendo terras raras e minerais críticos. Embora esses recursos ainda não estejam sendo explorados, há, dentro do Planalto, a avaliação de que parcerias internacionais podem viabilizar essa exploração.

Outro ponto em discussão entre os dois países envolve a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. Integrantes do governo demonstram preocupação com essa hipótese, principalmente pelo risco de eventuais sanções econômicas que possam atingir o Brasil.

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