A Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira (5), a Operação Bazaar, que apura um esquema de corrupção envolvendo policiais civis dentro de delegacias especializadas em São Paulo. Ao todo, estão sendo cumpridos 11 mandados de prisão contra suspeitos de participação no esquema.
A operação tem como alvos principalmente policiais de departamentos como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Segundo as primeiras informações, pelo menos nove pessoas já foram presas, entre policiais civis e uma doleira.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que o grupo, formado por doleiros e operadores financeiros, teria estruturado um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além de utilizar práticas como fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas para garantir a continuidade das atividades ilícitas.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e que adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso as irregularidades sejam confirmadas. A pasta também declarou que haverá apuração interna rigorosa sobre os fatos.
Segundo as investigações, o grupo teria montado um esquema estruturado para explorar investigações policiais e cobrar propina de suspeitos em troca de proteção. A decisão judicial aponta que delegacias especializadas passaram a ser utilizadas como um centro clandestino de negociação para interromper ou manipular investigações criminais.
Ainda conforme o Ministério Público, policiais investigados teriam atuado em parceria com advogados e doleiros para manter o esquema em funcionamento, realizando pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas e adotando estratégias de fraude processual e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.
Os investigadores apontam que policiais solicitavam relatórios de inteligência financeira sobre possíveis alvos de extorsão. Após receber os dados, enviavam intimações e exigiam pagamentos para que os casos não avançassem. Em outra frente do esquema, operadores do mercado ilegal de câmbio, ao tomarem conhecimento de investigações em andamento, ofereciam propina para interromper procedimentos policiais.
Há registros, ainda segundo a apuração, de destruição de provas, incluindo a troca de HDs apreendidos por equipamentos vazios para eliminar evidências.
As investigações indicam também que o grupo utilizava métodos sofisticados de lavagem de dinheiro, como empresas de fachada, simulações de operações de importação e outras estratégias para ocultar a origem dos recursos obtidos ilegalmente. Entre elas, a conversão de grandes quantias em dinheiro vivo em créditos de vales-refeição.
O Ministério Público informou ainda que, após reunião com a Corregedoria, foi determinada a realização de correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas, com o objetivo de promover a responsabilização disciplinar e apurar eventuais outros ilícitos nas repartições.
Jeyson Moraes
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