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Daniel Vorcaro vai para o mesmo presídio federal onde está Marcola e cúpula do crime organizado

Transferência ocorreu após nova prisão da PF que apura fraudes e suspeitas de lavagem.

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, foi transferido nesta sexta-feira (6) para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Brasília. A unidade é considerada uma das mais restritivas do sistema penitenciário brasileiro e abriga líderes de organizações criminosas, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como principal liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC), além de outros integrantes de facções.

A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal. Segundo a decisão, a permanência de Vorcaro em um presídio estadual poderia representar risco à segurança pública. Mendonça citou elementos reunidos na investigação que indicariam que o banqueiro possui capacidade de articulação e influência sobre diferentes atores no setor público e privado.

Foto: Divulgação/ SAPDaniel Vorcaro na cadeia
Daniel Vorcaro na cadeia

Vorcaro havia sido levado inicialmente para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, após ser preso novamente durante a terceira fase da operação. Na manhã desta sexta-feira, ele deixou a unidade escoltado por agentes da Secretaria de Administração Penitenciária paulista, seguiu até o aeroporto de São José dos Campos e embarcou em uma aeronave King Air 350i do Ministério da Justiça com destino a Brasília. Ao chegar à capital federal, por volta das 15h30, passou por exame de corpo de delito antes de ser encaminhado ao presídio federal.

As investigações da Polícia Federal apontam que estruturas financeiras associadas a fundos utilizados em operações do Banco Master apareceram em apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro ligada à chamada máfia dos combustíveis e ao PCC. Quatro fundos teriam surgido em análises relacionadas a transações sob suspeita, envolvendo recursos que estariam associados a organizações criminosas. As suspeitas também foram discutidas no Congresso, inclusive em audiências da CPMI do INSS e da CPI do Crime Organizado, que chegaram a convocar o banqueiro e executivos do banco para prestar esclarecimentos.

Embora as investigações estejam em andamento e ainda não exista condenação judicial sobre essas suspeitas, o caso ganhou maior dimensão após a análise de operações financeiras e mensagens apreendidas pela Polícia Federal. A defesa de Vorcaro e das empresas relacionadas aos fundos investigados nega irregularidades e afirma que nunca houve participação em esquemas de lavagem de dinheiro ou operações fraudulentas ligadas a organizações criminosas.

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