A disputa judicial em torno do caso Isabella Nardoni teve um novo avanço e agora alcança instâncias internacionais. A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, presidida por Agripino Magalhães, decidiu recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington, após já ter contestado a atuação de juízes paulistas junto ao Conselho Nacional de Justiça. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.
Desta vez, a organização apresentou uma denúncia formal apontando a suposta participação de Antônio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni e avô da menina, no crime ocorrido em 2008. O material, protocolado nesta quarta-feira (29), reúne relatos que sugerem que ele não teria apenas ajudado a encobrir o caso, mas também atuado diretamente na execução. A acusação tem como base o depoimento de uma policial penal que acompanhava Anna Carolina Jatobá. De acordo com a servidora, a madrasta teria dito que o sogro agiu de forma consciente, contribuindo para a construção de um álibi e possivelmente incentivando o desfecho do episódio.
Ainda conforme o relato, a criança apresentava sinais vitais quando foi jogada da janela do edifício, e a ação de terceiros teria sido decisiva para o resultado. A funcionária do sistema prisional também declarou que o silêncio de Jatobá ao longo dos anos estaria relacionado ao fato de Antônio Nardoni sustentar financeiramente ela e sua família. Diante do que considera uma omissão do Judiciário brasileiro na apuração dessas novas informações, a associação, representada pelo advogado Angelo Carbone, pediu à Comissão Interamericana a adoção de medida cautelar.
Entre as solicitações estão a prisão de Antônio Nardoni para investigação de crime hediondo, o acompanhamento presencial do caso por representantes do órgão internacional e a implementação de medidas de proteção à testemunha responsável pelas declarações.
A iniciativa reforça pontos já levantados pela entidade em manifestações anteriores ao CNJ. A associação argumenta que a liberdade de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, atualmente em regime aberto, provoca um sentimento de “medo coletivo”.
O documento também cita que Alexandre trabalha em uma empresa do pai e aponta que o padrão de vida exibido pelo casal em regiões como São Paulo e Alphaville seria incompatível com a condição de condenados, enquanto o avô, mencionado por testemunhas, nunca foi denunciado nem levado a julgamento.
Procurado, Antônio Nardoni negou qualquer envolvimento no crime. A defesa da família informou que pretende adotar medidas judiciais contra a autora do depoimento.
Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo avalia pedidos de reabertura das investigações com base em uma carta manuscrita e nos relatos apresentados por testemunhas.
Leandro Soares
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