A Operação Underhand, deflagrada pela Polícia Federal nessa terça-feira (08), teve como objetivo apurar o desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares e fraudes em licitações em cidades do Ceará. As investigações revelaram que um grupo ligado ao deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) cobrava um "pedágio" de 12% das prefeituras sobre o valor das emendas, como condição para liberar os recursos e direcionar as contratações.

A PF obteve áudios que indicam que o grupo investigado recebia informações em tempo real sobre a liberação de recursos e sobre a expectativa de retorno financeiro. Há ainda referências de que verbas do gabinete do parlamentar eram utilizadas para compra de apoio político, pagamento de influenciadores e jornalistas, além de financiamento oculto de campanhas eleitorais.

Segundo a polícia, uma ex-prefeita prestou depoimento afirmando ter sido procurada pelo grupo com uma proposta envolvendo o repasse de emenda parlamentar, desde que houvesse a devolução de 15% do valor.

“Mensagens trocadas entre Carlos Alberto Queiroz (conhecido como Bebeto), investigado em uma fase anterior da operação, e interlocutores ligados ao deputado, como Adriano Escritório Junior Mano, revelam que o grupo autorizava a destinação de emendas parlamentares, inclusive de terceiros, para prefeituras previamente cooptadas, mediante exigência de retorno financeiro na ordem de 12%”, afirmou a PF ao STF.

Conforme a corporação, esse valor era tratado como uma forma de “pedágio”, caracterizando prática de corrupção.

O ministro relator do caso destacou avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo a qual a atuação do grupo comprometeu a “imparcialidade das licitações e contratações públicas, culminando no desvio de recursos públicos e, em situações de maior gravidade, provocando o esvaziamento funcional e institucional da administração pública”.

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Envolvimento de Júnior Mano

A investigação apontou que o deputado federal Júnior Mano seria uma “figura estruturante de uma organização criminosa”, utilizando-se indevidamente de recursos públicos. Ele também teria manipulado eleições em diversas cidades cearenses, especialmente em Nova Russas, no interior do estado, que foi o município que mais recebeu recursos. A prefeita da cidade é a esposa do parlamentar, Giordanna Mano (PRD).