Um prejuízo de R$ 1 bilhão aos produtores de carne pode ser gerado com a imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump . A informação foi divulgada nessa quinta-feira (31) por Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante coletiva de imprensa.
“Estamos aguardando. Mesmo após o início da implantação da tarifação, as negociações podem continuar. Com diversos outros países, os Estados Unidos fizeram isso: iniciaram a taxação, continuaram as negociações e depois houve algum recuo da parte deles", disse Perosa.
Na quarta-feira (30), a Casa Branca já havia anunciado uma lista de quase 700 produtos brasileiros que ficarão isentos da tarifa adicional de 50%, entre os quais estão o suco de laranja e o petróleo — mas a carne e o café ficaram de fora.
A relação entre o Brasil e os EUA foi elogiada por Perosa. Além de classificar o comércio entre os dois países como uma “operação ganha-ganha”, o presidente da Abiec destacou que o mercado norte-americano é um bom pagador e possui grande demanda.
400 mil toneladas de carne seriam exportadas para os EUA em 2025
A expectativa para este ano, segundo Roberto Perosa, era exportar 400 mil toneladas de carne para os Estados Unidos. De acordo com ele, “não existe nenhum mercado que absorva tudo isso”.
“Uma parte ficará no mercado interno, outra parte será redirecionada para outros destinos”, explicou o presidente da Abiec. “Mas com dificuldades de preço e de logística.”
Em todas as etapas da cadeia, o setor gera quase 7 milhões de empregos em todo o Brasil. Segundo Perosa, os postos de trabalho devem ser mantidos, mas será necessário criar uma nova linha de crédito e financiamento para mitigar os impactos das tarifas.