O Brasil registrou em março de 2026 um forte aumento no déficit das transações correntes, indicador que mede a diferença entre o dinheiro que entra e sai do país em operações como comércio exterior, serviços e remessas de lucros. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central , o saldo negativo chegou a US$ 6 bilhões no mês.
O resultado representa mais que o dobro do rombo registrado em março de 2025, quando o déficit foi de US$ 2,9 bilhões. No acumulado de 12 meses, o déficit nas contas externas atingiu US$ 64,3 bilhões, mostrando uma piora em relação ao desempenho observado em fevereiro.
Entre os principais fatores para esse cenário está a redução do superávit comercial. As importações cresceram 19,9%, enquanto as exportações avançaram em ritmo menor, com alta de 9,5%. Com isso, o saldo positivo da balança comercial caiu de US$ 7,2 bilhões para US$ 5,6 bilhões, uma redução de US$ 1,6 bilhão.
O setor de serviços também pesou no resultado. O déficit nessa área aumentou 14,5% e fechou março em US$ 4,8 bilhões. Além disso, houve maior saída de renda primária, categoria que inclui o envio de lucros e dividendos de empresas estrangeiras para suas matrizes no exterior.
Outro dado que chamou atenção foi o recorde de gastos de brasileiros em viagens internacionais. No primeiro trimestre de 2026, as despesas fora do país somaram US$ 6,04 bilhões, alta de quase 22% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Esse foi o maior valor já registrado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995. Apenas em março, os brasileiros gastaram US$ 1,99 bilhão em viagens ao exterior, estabelecendo um novo recorde mensal.
Já o Investimento Direto no País (IDP), que representa a entrada de capital estrangeiro voltado à produção e aos negócios no Brasil, apresentou leve recuo. Em março, os aportes somaram US$ 6 bilhões, abaixo dos US$ 6,3 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
No acumulado de 12 meses, o investimento estrangeiro direto chegou a US$ 75,7 bilhões, equivalente a 3,18% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo-se como uma importante fonte de financiamento da economia brasileira.