O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ( USTR ) confirmou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil, após concluir uma investigação comercial que durou cerca de um ano. Na medida, cerca de 4,4 mil produtos brasileiros sofreram a taxação, apesar da medida, o governo americano também divulgou uma lista com aproximadamente 2,2 mil produtos que ficaram de fora da nova cobrança.
A tarifa entrará em vigor na próxima quarta-feira (22) e atingirá mais de 4 mil produtos brasileiros. A medida é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Entre os argumentos apresentados pela USTR estão críticas a decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais, como X , Meta e Google , além de alegações de que o Pix prejudicaria empresas americanas do setor de pagamentos.
O governo brasileiro, por sua vez, afirmou que a investigação teve motivação política e que os argumentos técnicos teriam sido elaborados posteriormente para justificar a decisão. O Palácio do Planalto também reiterou que eventuais mudanças nas regras do Pix são consideradas inegociáveis.
No setor empresarial, companhias americanas também demonstraram preocupação com a manutenção das tarifas. Segundo elas, a taxação de insumos brasileiros pode elevar os custos de produção nos Estados Unidos e encarecer os produtos para os consumidores.
Reação brasileira
Os ministérios da Fazenda, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços classificaram a sobretaxa como injustificada. Em nota conjunta divulgada na terça-feira (14), o governo brasileiro afirmou que nenhuma das razões apresentadas pelos Estados Unidos seria suficiente para justificar a aplicação das tarifas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou que a prioridade do governo será proteger os produtores e as famílias brasileiras. Segundo ele, o Executivo irá avaliar os setores mais afetados e poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar medidas proporcionais em resposta a barreiras comerciais impostas por outros países ou buscar uma solução negociada.
Produtos que serão taxados
Etanol
Máquinas agrícolas
Vestuário
Maquinário elétrico
Calçados
Ferramentas de jardinagem
Equipamentos de mineração
Papel
Açúcar orgânico
Bens de capital
Manufaturados em geral
Produtos químicos diversos
Itens industriais processados
Produtos que ficaram fora da tarifa
Carnes e produtos de origem animal
Frutas, verduras e alimentos
Minérios e combustíveis
Produtos químicos e farmacêuticos
Fertilizantes
Plásticos, madeira e papel
Metais e máquinas
Eletrônicos
Aeronáutica
Instrumentos e obras de arte