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Economia e Negócios

CVM investiga manobra com ações que rendeu R$ 1 bilhão a ex-sócio do Master

Operações com fundos ligados ao banco e empresários elevaram papéis da Ambipar e motivaram apurações.

A Comissão de Valores Mobiliários investiga uma operação com ações da Ambipar que teria gerado ao menos R$ 1,2 bilhão em ganhos para Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. Segundo informações publicadas pelo UOL, a apuração envolve compras concentradas de papéis por fundos ligados ao banco e a empresários do mercado financeiro, com impacto direto na valorização das ações ao longo de 2024.

Entre junho e julho daquele ano, os fundos Esna, Texas I e Kyra, associados ao Master e ao empresário Nelson Tanure, adquiriram cerca de 25 milhões de ações da Ambipar, o equivalente a aproximadamente 15% do capital social da companhia. A movimentação elevou de forma acelerada o preço dos papéis, conforme descrito em relatórios técnicos da CVM. No fim de 2024, as ações chegaram a R$ 125, acumulando alta de cerca de 700% no ano.

Foto: ReproduçãoBanco Master
Banco Master

Em setembro de 2024, parte dessas ações foi transferida a Tanure com desconto de 40% sobre o valor de mercado. Com os recursos obtidos, o empresário comprou o controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia, leiloada pelo governo de São Paulo por R$ 1 bilhão. Em julho de 2025, a área técnica da CVM apontou atuação coordenada entre Tanure e o Banco Master para inflar os papéis e determinou que a Ambipar realizasse oferta pública de aquisição das ações remanescentes na B3.

O colegiado da CVM, no entanto, dispensou a companhia da obrigação por considerar insuficientes as provas apresentadas naquele procedimento específico. Paralelamente, segue em tramitação outro processo administrativo para apurar eventuais irregularidades e suspeitas de enriquecimento ilícito envolvendo Quadrado. Dados de fundos indicam que, em dezembro de 2024, antes da queda acentuada das ações, ele também teria obtido ganhos por meio do fundo Borgonha e de repasses via Kyra, Touring e TT Investimentos.

Os recursos foram direcionados para uma empresa de turismo hoje chamada BeFly, que estava sob influência de executivos do Banco Master desde 2021. Em abril de 2024, o fundo TT investiu R$ 1 bilhão na companhia, enquanto o fundo B10 aportou R$ 202 milhões, pouco antes da venda das ações da Ambipar no pico de preços. Quadrado, que é dono da corretora Trustee, investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, deixou a sociedade com Daniel Vorcaro em setembro de 2024. Ao UOL, ele afirmou que não comprou ações da Ambipar diretamente e negou ser controlador da BeFly, enquanto Tanure, Ambipar e BeFly não comentaram o caso.

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