O ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa , de 71 anos, deve ficar fora da disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano. Filiado ao Democracia Cristã (DC), ele vinha sendo apontado como possível candidato ao Palácio do Planalto, mas a legenda enfrenta dificuldades para viabilizar uma candidatura própria.
Segundo dirigentes do partido, o DC não conseguiu formar alianças com outras siglas nem reunir a estrutura necessária para sustentar uma campanha presidencial. A definição deve ocorrer até o dia 5 de agosto, prazo final para a realização das convenções partidárias que oficializam as candidaturas.
O presidente nacional do DC, João Caldas, admitiu que o cenário é desfavorável. Embora as negociações ainda estejam em andamento, ele reconheceu que a possibilidade de lançar um candidato próprio tornou-se cada vez mais remota.
Impasse dentro do partido
A indefinição também é consequência de divergências internas. Inicialmente, o Democracia Cristã havia anunciado o ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo como pré-candidato à Presidência. Meses depois, no entanto, a direção nacional mudou de estratégia e passou a defender o nome de Joaquim Barbosa.
A alteração provocou insatisfação dentro da legenda. Aldo Rebelo contestou a decisão e chegou a ameaçar recorrer à Justiça para garantir sua permanência como pré-candidato até o período das convenções. Joaquim Barbosa, por sua vez, evitou se manifestar publicamente sobre a disputa interna.
Trajetória no STF
Joaquim Barbosa integrou o Supremo Tribunal Federal entre 2003 e 2014, após ser indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante sua passagem pela Corte, ganhou projeção nacional ao relatar o processo do chamado Mensalão, um dos maiores escândalos políticos do país.
Entre 2012 e 2014, presidiu o STF. Ainda naquele ano, decidiu deixar o cargo de forma voluntária, antes de atingir a idade para aposentadoria compulsória, alegando problemas de saúde.
Histórico político
Antes de ingressar no Democracia Cristã, em 2026, Joaquim Barbosa foi filiado ao PSB. Em 2018, seu nome chegou a ser cogitado para disputar a Presidência da República pela legenda, mas a candidatura não foi confirmada. Posteriormente, ele deixou o partido, em 2022.
Caso a desistência seja oficializada nas convenções de agosto, Barbosa encerrará mais uma tentativa de ingresso na disputa presidencial sem chegar efetivamente às urnas.