Com a aproximação de 2026, os projetos eleitorais dos partidos que integram a base aliada do governador Rafael Fonteles passam a orientar também as articulações institucionais para o período pós-eleitoral. Nesse cenário, Partido dos Trabalhadores e o MDB, as duas principais siglas de sustentação ao Palácio de Karnak, caminham para um entendimento em torno da presidência da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). Conforme apurado pelo GP1, os dois partidos avançam no consenso para apoiar a reeleição do atual presidente da Casa, Severo Eulálio (MDB), após o pleito de 2026.
A disputa pelo comando da Alepi vinha sendo um ponto de tensão entre PT e MDB, uma vez que ambas as legendas projetam crescimento de suas bancadas e pretendem ocupar posições estratégicas no Legislativo estadual. Em momentos anteriores, os dois partidos chegaram a rivalizar abertamente pela presidência da Casa. Apesar disso, mesmo com desgaste na relação, PT e MDB seguiram atuando de forma conjunta em diferentes agendas políticas.
Nas últimas semanas, a avaliação interna do PT passou por mudanças, segundo apurado pela nossa reportagem. Deputados estaduais da sigla têm manifestado reconhecimento à condução administrativa de Severo Eulálio à frente da Alepi, destacando a condução dos trabalhos legislativos e a interlocução com as bancadas. Dentro desse contexto, o partido passou a considerar que o perfil do atual presidente favorece o diálogo entre as forças políticas, o que levou à discussão sobre o fechamento de questão para apoiá-lo em um segundo mandato no próximo biênio.
No MDB, a leitura predominante é de que a definição da presidência da Assembleia deve seguir o mesmo modelo adotado no início da gestão de Rafael Fonteles. À época, o comando da Casa foi dividido entre Franzé Silva e Severo Eulálio, a partir de um acordo construído com participação direta do governador. Para os emedebistas, a repetição desse método garantiria estabilidade política e previsibilidade na relação entre o Executivo e o Legislativo estadual.
Antes desse movimento de aproximação, o PT trabalhava com a expectativa de eleger a maior bancada da Alepi em 2026, o que sustentava a intenção de disputar a presidência da Casa de forma mais direta. Lideranças petistas avaliavam que o partido teria condições de indicar o próximo presidente e defendiam autonomia para conduzir essa escolha. Mesmo assim, o alinhamento com o governador sempre foi considerado nas discussões internas.
Davi Fernandes
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