Francisco Brennand passa todos os seus dias na antiga fábrica de cerâmica herdada de seu pai, no bairro da Várzea do Capibaribe do Recife. O local foi transformado por ele, desde 1971, em sua oficina; mais do que isso, em um templo para sua arte. Esculturas de abutres, seus Pássaros Rocca, formam uma grande fileira de sentinelas no alto da cidadela do artista - abaixo deles, mulheres, homens e animais feitos em cerâmica, sempre a partir de uma raiz fálica, sexualizada e mitológica, povoam toda a área da Oficina Brennand. Há ainda ovos esculpidos pelo chão; um galpão chamado "Accademia", dedicado às pinturas; excertos literários de Borges, Carlo Levi e de Eclesiastes transcritos em painéis de cerâmica; imagens de santos e símbolos de Oxossi; fornos, fontes e um lago; cisnes negros selvagens perambulando por jardins projetados pelo paisagista Burle Marx. "Isso parece o Egito", disse um taxista a Brennand, anos atrás. "Senti que ele estava à procura de um equivalente da palavra mistério", conta o artista, que naquela época ainda estava no meio do processo de transformar as ruínas da Cerâmica São João em seu "projeto sem volta", sua obra de vida.
Um dos principais artistas brasileiros, com carreira iniciada na década de 1940, Brennand, aos 85 anos, é um homem recluso, de barba longa e branca. "Envelheci aqui. Tinha um quarto em cima, em que dormi durante muito tempo, e um dia eu desci e já era um velho. Mas a minha conversa não é a conversa de um solitário. Um solitário, em geral, se desabitua a falar, e eu gosto de falar, um amigo dizia que é um mal incurável", brinca Brennand, que recebeu o Estado em seu ateliê na semana passada, para uma longa conversa de quatro horas.
Figura complexa, criador ultraculto e polêmico, católico apostólico romano, cinéfilo que já escreveu sobre Antonioni e outros cineastas, construtor de um museu a céu aberto que se tornou um dos espaços mais particulares do País, o pintor e escultor é o tema do documentário Francisco Brennand, destaque da 36.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que será aberta nesta quinta-feira, 18, para convidados. O filme, dirigido pela sobrinha-neta do artista, Mariana Brennand Fortes, estreia no sábado, em sessão às 19 horas na Cinemateca Brasileira.
Um dos principais artistas brasileiros, com carreira iniciada na década de 1940, Brennand, aos 85 anos, é um homem recluso, de barba longa e branca. "Envelheci aqui. Tinha um quarto em cima, em que dormi durante muito tempo, e um dia eu desci e já era um velho. Mas a minha conversa não é a conversa de um solitário. Um solitário, em geral, se desabitua a falar, e eu gosto de falar, um amigo dizia que é um mal incurável", brinca Brennand, que recebeu o Estado em seu ateliê na semana passada, para uma longa conversa de quatro horas.
Figura complexa, criador ultraculto e polêmico, católico apostólico romano, cinéfilo que já escreveu sobre Antonioni e outros cineastas, construtor de um museu a céu aberto que se tornou um dos espaços mais particulares do País, o pintor e escultor é o tema do documentário Francisco Brennand, destaque da 36.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que será aberta nesta quinta-feira, 18, para convidados. O filme, dirigido pela sobrinha-neta do artista, Mariana Brennand Fortes, estreia no sábado, em sessão às 19 horas na Cinemateca Brasileira.

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