A Igreja Católica Apostólica Romana divulgou, no fim de novembro, um documento que apresenta aos fiéis novas orientações sobre o sexo para os membros da religião. O documento foi assinado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, nome atual do antigo Tribunal do Santo Ofício, e a nota doutrinal foi divulgada com a aprovação do papa Leão XIV .

No documento, o papa ressalta que o sexo não deve ser buscado exclusivamente para fins de procriação, como se defendia na Igreja antes do texto, uma vez que isso excluiria a legitimidade das relações sexuais entre casais que não podem ter filhos ou que não têm condições, sejam financeiras ou psicológicas, para tal.

Foto: Reprodução/Vaticano
Papa Leão XIV

O documento afirma que uma “visão integral da caridade conjugal” é aquela que “não nega a sua fecundidade”. Mas também indica que “a união sexual, como forma de expressão da caridade conjugal”, ainda que “deva naturalmente permanecer aberta à comunicação da vida”, não precisa ter como objetivo explícito, em cada ato sexual, a procriação.

Nesse sentido, o texto apresenta três possibilidades. A primeira é a vida sexual de casais que não podem ter filhos. A segunda é a situação em que “um casal não procure conscientemente um determinado ato sexual como meio de procriação”. Por fim, o terceiro item trata do respeito “aos períodos naturais de infertilidade”, que “podem servir não só para regular as taxas de natalidade, mas também para escolher os momentos mais adequados para acolher uma nova vida”, observa o documento.

A nota enfatiza que “o casal pode aproveitar esses períodos como manifestação de afeto e para salvaguardar a fidelidade mútua”. “Fazendo isso, demonstram um amor verdadeiro e completamente honesto”, afirma.

Tal postura não é inédita em documentos do catolicismo, mas aparece com destaque neste texto, repleto de citações que transcendem os círculos da cúpula católica por incluírem, entre outros, versos do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), trechos de escritos do poeta italiano Eugenio Montale (1896-1981) e reflexões sobre a ética do matrimônio deixadas pelo filósofo existencialista dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855), que também era teólogo cristão.

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