A sentença de 27 anos e três meses de prisão imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no processo sobre tentativa de golpe de Estado, teve forte repercussão internacional e provocou indignação entre parlamentares republicanos nos Estados Unidos. Líderes do partido cobraram do governo norte-americano a adoção de sanções contra o Brasil, classificando a decisão como perseguição política.

A deputada federal Maria Elvira Salazar, de Miami, afirmou que a condenação foi “fraudulenta” e motivada por “vingança política”, de acordo com o jornal espanhol El Nuevo Herald . Em discurso, declarou que “o mundo está assistindo” e defendeu apoio internacional à “democracia no Brasil contra abusos de poder”.

Foto: Facebook/Marco Rubio
Chefe da diplomacia americana, Marco Rubio

Já o congressista Carlos Giménez, também da Flórida e membro do Comitê de Forças Armadas da Câmara, atribuiu a condenação à influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “criminoso corrupto” e “líder de um regime socialista”. Em publicação no X (antigo Twitter), Giménez ameaçou impor sanções severas, dizendo que Lula e aliados “terão que se juntar a seus amigos em Cuba”.

O senador Marco Rubio, secretário de Estado, também se manifestou e prometeu uma resposta da Casa Branca, embora não tenha detalhado quais medidas poderiam ser adotadas.

Essa não é a primeira vez que os EUA reagem judicialmente ao processo contra Bolsonaro. Em julho de 2025, o então presidente Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, justificando a medida como resposta a uma “caça às bruxas” contra o ex-mandatário. Posteriormente, algumas exceções foram concedidas, como para automóveis de passeio e peças de aeronaves civis.

Ainda naquele mês, Rubio anunciou a suspensão de vistos de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, além de familiares próximos. Moraes também foi incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, sob acusações de censura e violações de direitos humanos.

Sem anúncio no momento

Trump, por sua vez, demonstrou descontentamento com a decisão da Justiça brasileira e voltou a defender Bolsonaro, a quem descreveu como “um bom homem”. O ex-presidente norte-americano comparou a condenação à sua própria experiência judicial nos EUA, sugerindo que ambos são alvos de perseguição política.