O jornal israelense Israel Hayom divulgou que o Egito tem buscado manter contato com os Estados Unidos e Israel mediante a possível tomada terrestre de Gaza . As autoridades egípcias comunicaram que a ocupação completa de Israel no enclave representa uma ameaça direta à segurança nacional, o que colocaria em risco o tratado de paz de Camp David, firmado em 1979.
Segundo o meio de comunicação, o governo do presidente Abdel Fattah al-Sissi apontou que ao menor sinal da tentativa de impor uma nova configuração em Gaza, resultaria em uma resposta firme, começando pelo meio diplomático, podendo até mesmo alcançar a revisão de acordos bilaterais.
O temor das autoridades egípcias é de que a completa tomada do enclave resulte no deslocamento em massa de palestinos à fronteira do Sinai, podendo criar um desafio humanitário e geopolítico sem procedentes. Já a visão de especialistas é que esse cenário possa desestabilizar a demografia e comprometer compromissos regionais assumidos pelo Egito.
Essa possibilidade tem elevado a tensão entre os dois países, especialmente pela avaliação de especialistas que consideram impossível as Forças de Defesa de Israel “eliminarem o Hamas” sem gerar consequências devastadoras para os civis. O embaixador do Egito, Masoum Marzouk disse que a conjuntura é considerada uma ameaça, como “um incêndio prestes a atingir o barril de pólvora”, e que a cada dia sem solução político os “planos agressivos do inimigo” são fortalecidos.
Em meio a isso, o Egito ainda é visto como mediador das negociações entre Israel e Hamas, especialmente porque vem mantendo um acordo de paz há 45 anos com o governo israelense e a sustentação de interesses comuns: como o combate ao terrorismo no Sinai à proteção de rotas marítimas no Mar Vermelho e a preocupação com a vigilância frente à influência ucrania.