A União Europeia (UE) confirmou nesse domingo (11) que assinará o acordo de livre-comércio com o Mercosul no próximo sábado (17), encerrando uma das mais longas e complexas negociações comerciais da história recente. A formalização será feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , após a aprovação política do texto pelos Estados-membros do bloco, ocorrida no início de janeiro.

O tratado envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores. A decisão representa um marco histórico, mesmo diante da resistência de países como França, Irlanda, Polônia, Hungria e Áustria, que manifestaram preocupações sobre possíveis impactos no setor agrícola europeu, especialmente em relação à carne bovina, açúcar e etanol.

Apesar das divergências, a maioria qualificada necessária foi alcançada na sexta-feira (9), permitindo que o processo seguisse adiante. Segundo a Comissão Europeia, o tratado é estratégico para fortalecer a competitividade da indústria europeia, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados como Estados Unidos e China, em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e disputas comerciais acirradas.

Para o Mercosul, o acordo é visto como uma oportunidade histórica de ampliar o acesso a um mercado de alto poder aquisitivo, com redução gradual de tarifas sobre a maior parte das exportações ao longo de até 15 anos. O texto também inclui regras sobre compras governamentais, propriedade intelectual e compromissos ambientais, um ponto sensível nas negociações e foco das críticas de ambientalistas europeus.

A assinatura do tratado, no entanto, não garante sua entrada imediata em vigor. O acordo ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e, posteriormente, pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. Até a conclusão dessas etapas, o pacto permanece como um compromisso político, sujeito a debates internos e possíveis obstáculos legislativos.

Mesmo assim, a decisão de avançar com a assinatura é interpretada como um gesto político relevante da UE em defesa do multilateralismo e da abertura comercial, após mais de duas décadas de negociações marcadas por impasses, recuos e reviravoltas.

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