O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , afirmou nessa terça-feira (13) que seu governo tomará “medidas muito enérgicas” caso o Irã comece a enforcar manifestantes que participam de protestos contra o governo em Teerã e em outras cidades do país. A declaração foi feita em entrevista à emissora CBS News, no contexto de uma onda de protestos que, segundo grupos de direitos humanos, já deixou mais de 2 mil mortos desde o seu início, no fim de dezembro de 2025, e que gerou preocupação internacional sobre uma possível escalada do conflito.
Trump não detalhou quais seriam as ações que os Estados Unidos poderiam adotar caso as execuções por enforcamento comecem no Irã, mas mencionou que não descarta o uso da força militar e citou exemplos de intervenções passadas, como a operação que resultou na morte do líder do Estado Islâmico e ataques a instalações nucleares iranianas em 2025. Ele disse que “não quer que o que está acontecendo no Irã se repita” e afirmou que protestos são legítimos, mas que a morte de milhares de pessoas é motivo de grande preocupação.
Na mesma entrevista, o presidente americano declarou que ainda não teve acesso a números oficiais precisos sobre o total de mortos nos protestos, mas disse que a cifra pode ser “bastante substancial” e que isso “vai causar muitos problemas” para o governo iraniano, destacando a gravidade da situação. Em sua fala, ele também afirmou que seu objetivo no Irã é “vencer”, citando intervenções anteriores dos Estados Unidos e outras ações contra líderes de grupos armados como parte dessa estratégia.
Entidades de direitos humanos informaram que um jovem de 26 anos, Erfan Soltani, preso em 8 de janeiro após participar dos protestos, está programado para ser executado nesta quarta-feira (14), com a pena de morte marcada pelo governo iraniano. A possível execução intensificou as atenções internacionais sobre a reposta às manifestações e alimentou o posicionamento do presidente dos Estados Unidos.
Fontes internacionais também indicam que o Irã informou aliados no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia, de que atacará bases americanas em seus territórios caso Washington lance uma ofensiva contra Teerã, numa tentativa de dissuadir possíveis ações externas. A situação elevou as tensões entre os Estados Unidos e o Irã em meio ao que muitos analistas consideram um dos períodos mais violentos de protestos e repressão no país em décadas.