Em um vídeo divulgado na rede social X no último domingo (4), o diplomata e analista político Edmundo González , de 76 anos, declarou-se presidente da Venezuela . Ele afirma ter vencido as eleições presidenciais de 2024 pelo bloco de centro-direita Plataforma Unitária Democrática, resultado que, segundo ele, reflete a vontade popular expressa nas urnas.
Na gravação, González fez um apelo direto às Forças Armadas venezuelanas para que reconheçam o resultado do pleito realizado em 28 de julho de 2024. O diplomata disputou a eleição no lugar de sua aliada María Corina Machado, impedida de concorrer por decisão do governo de Nicolás Maduro, ligado ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
“A Venezuela precisa de verdade, justiça e reconciliação, sem impunidade. Como presidente dos venezuelanos, faço um chamado sereno e claro à Força Armada Nacional e aos órgãos de segurança do Estado. Cabe a vocês cumprir e fazer cumprir o mandato soberano manifestado em 28 de julho de 2024. Como comandante-geral, reforço que a lealdade deve ser à Constituição, ao povo e à República”, afirmou González.
No sábado (3), o então presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia FloresCilia Flores , foram capturados durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela. A ação incluiu ataques a quatro alvos estratégicos no país, com a mobilização de cerca de 150 aeronaves de combate e bombardeios partindo de diferentes regiões, que resultaram na neutralização de sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Maduro foi encaminhado ao Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, em Nova York, conhecido como a “prisão dos famosos”, onde estão detidos mais de 1,3 mil presos. Ele permanecerá custodiado enquanto aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A denúncia apresentada na Justiça norte-americana prevê pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua.
No domingo (4/1), as Forças Armadas da Venezuela informaram reconhecer Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo deposto pelos Estados Unidos, como líder interina do país.
Diante do novo cenário político, González declarou que “quem usurpou o poder já não está mais no país e agora responde à Justiça”, mas ressaltou que o momento não elimina os desafios que ainda precisam ser enfrentados. Ele também defendeu a libertação imediata de “presos políticos civis e militares mantidos em cárcere por divergirem de pensamento”.
Segundo o diplomata, a reconstrução da Venezuela passa pela união nacional. “O país precisa de unidade para se refazer, para se curar, para se reencontrar e para garantir que o poder jamais volte a ser usado contra o próprio povo”, concluiu.